
Nampula (IKWELI) – As mulheres profissionais da comunicação social, em Nampula, quebraram o silêncio na manhã da última Sexta-feira (24), ao decidir discutir mecanismos de combate ao assédio moral e sexual, Violência Baseada no Gênero, entre outros desafios que se impõem ao grupo.
A iniciativa surge no contexto das comemorações do 8 de Março, dia internacional da mulher, do 7 de Abril dia, da mulher moçambicana associado ao dia do jornalista moçambicano celebrado anualmente a cada 11 de Abril e 48 anos da criação do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ).
De acordo com Adina Shuale, Secretária para área de Formação do SNJ em Nampula, com o encontro pretende-se criar uma rede de partilha e resolução de questões sensíveis em coordenação com as autoridades competentes para que haja responsabilização.
“Como mulheres jornalistas, achamos por bem criar uma oportunidade para discutir os desafios que como profissionais de comunicação enfrentamos no exercício da actividade. Neste encontro em específico, elegemos temas de extrema importância para nós, como é a questão do assédio moral e sexual que é um fenômeno comum, daí que este espaço é para partilha de experiências sobre o assédio dentro da redação, a relação com as fontes de informação, também temos a violência baseada do gênero e queremos quebrar esta situação e outra temática tem a ver com a relação entre trabalho e família, que é um desafio.”
Por outro lado, Sualehe avança que o assédio é uma realidade, embora não existam dados que revelem devido a falta de denúncia por vários factores.
“A cultura do silêncio ainda continua a fazer parte das vítimas de assédio sexual e embora hajam mecanismos dentro das organizações ou instituições, com esta distância espera-se maior abertura e apoio mútuo.”
Uma mulher jornalista e locutora que ocultamos a sua identidade afirmou ter sido vítima de assédio sexual e moral de forma recorrente, perpetrado por seu chefe de redação e as fontes que informação, mas o medo e o desespero de perder o emprego fez com que o acto fosse consumado.
“Eu trabalhei em um órgão de comunicação por sinal rádio, tive que ceder o assédio sexual ao meu chefe por aflição, mas ao longo do tempo percebi que aquela situação atormentava-me e tive que abandonar o trabalho volvidos 2 anos, optei em procurar outras estações de comunicação e actualmente me encontro em outra, tive que colocar limites sobre minha vida e dizer stop assédio.”
Outra vítima de assédio sexual entende que tais práticas colocam as mulheres em questões cada vez mais vulneráveis, falta de oportunidade e igualdade de gênero. (Nelsa Momade)





