
Nampula (IKWELI) – O fenómeno conhecido como “não me toca”, associado a alegações de encolhimento de órgãos genitais após contacto físico com desconhecidos, que ocorre em Cabo Delgado, desde 18 de Abril, já resultou em pelo menos cinco mortes, nos distritos de Mocímboa da Praia, Meruge, Macomia e vários feridos e na detenção de dezenas de suspeitos envolvidos em actos de violência e desordem pública.
Os incidentes que tiveram início no dia 18 de abril e rapidamente desencadearam manifestações populares em diferentes distritos, como Mocímboa da Praia, Palma, Pemba, Metuge, Chiúre, Muidumbe, Montepuez e Macomia, onde a população alarmada acabou por gerar confrontos, agressões físicas e homicídios.
Em conferência de imprensa realizada na sexta-feira (23), o comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Cabo Delgado, Assane Nyito, informou que 25 pessoas foram detidas sob suspeita de incitação à violência. Além disso, foram registados 17 casos relacionados ao fenómeno e instaurados vários processos, incluindo denúncias e autos de notícia.
No entanto, o comandante provincial alertou que o pânico generalizado tem contribuído para a paralisação de serviços públicos e privados, especialmente nos setores da educação e dos transportes.
Para conter a situação, agentes da PRM, em coordenação com líderes comunitários, intensificaram acções de sensibilização junto à população, apelando à calma e à denúncia de quaisquer atos suspeitos às autoridades competentes.
Por sua vez, o director provincial do Serviço de Saúde, Edson Fernando, confirmou a entrada de cinco pacientes em unidades sanitárias alegando encolhimento dos órgãos genitais após apertos de mão com indivíduos desconhecidos. No entanto, segundo o responsável, exames médicos realizados não encontraram evidências físicas que sustentem essas alegações.
Além disso, 24 pessoas deram entrada nas unidades de saúde vítimas de agressões físicas relacionadas ao pânico coletivo. As autoridades de saúde indicam que os casos podem estar associados a traumas psicológicos e ao medo generalizado, agravados pelo histórico recente de violência terrorista na região.
Edson Fernando, acrescentou que um grupo multidisciplinar, composto por médicos, psiquiatras, psicólogos e peritos forenses, foi criado para investigar os casos e prestar assistência às vítimas, mas reforçou que não há provas científicas que confirmem a existência de qualquer fenómeno de encolhimento dos órgãos genitais. (Virgínia Emília)