
Nampula (IKWELI) – Os dias começam antes mesmo do raiar do sol para a dona Flora Mafalda, uma vendedeira de comida que encontrou a zona da Central Elétrica, Bairro Mutauanha, ao pé do único viaduto do norte do país, província de Nampula, em local propício para a demostração do amor através da confecção de diversas receitas de comida e venda do refrigerante que se tornou o atractivo principal dos seus clientes, a Coca-cola.
Com 30 anos de idade, a dona da Delícias da Mafalda, um mini restaurante que “socorre” desde trabalhadores de organizações não-governamentais, funcionários públicos, e até desempregados, conta que herdou o apreço pela confecção de alimentos da sua falecida mãe.
“Este trabalho foi uma herança, porque minha mãe também era uma comerciante, tinha um estabelecimento em Nacala que chamava-se Faísca, então fui gostando, e segui este ramo porque é algo que eu gosto de fazer, e não havendo emprego, a vida é difícil, invés de ficar em casa, acabei vindo aqui.”
No seu dia-a-dia, Mafalda, como é mais conhecida, conta que tem vindo a enfrentar desafios devido a concorrência desleal, os seus pratos partem de 250,00Mt (duzentos e cinquenta meticais), quando os seus concorrentes têm pratos de até 50,00Mt (cinquenta meticais). “Eu agradeço porque as pessoas já me conhecem, e tenho encomendas, apesar de não ser satisfatório, mas dá para aguentar, o desafio que enfrento é com os concorrentes, estipulas um preço, e eles de repente começam a baixar, então isso é constrangedor, porque um frango compras mais de 300,00Mt (trezentos meticais), e me questiono como eles conseguem fazer as contas para colocar esse preço de 50,00Mt”.
Em média, a dona Mafalda conta que atende 20 clientes diários, e a maior parte dos mesmos exigem o ingrediente principal, uma Coca Cola bem gelada. “Eu gosto de Coca-cola e a maior parte das pessoas gostam de coca-cola, o único refresco que tomo é coca-cola, penso que a coca para mim é o melhor refresco, a coca-cola faz parte de um dos principais atrativos no meu estabelecimento.”
Júlia Raúl, outra vendedeira de comida no viaduto, contou a nossa reportagem que formou os dois filhos e construiu sua casa graças a venda de comida nas bermas do viaduto.
Há 30 anos a praticar a actividade, dona Júlia explicou que maior parte dos seus clientes não dispensam suas refeições, principalmente quando estão acompanhados do refrigerante. “Meus clientes gostam de coca-cola, todos os dias a coca-cola não pode faltar, por dia vendo uma caixa de refresco, mas a maior parte dos meus clientes gosta daquele refresco.”
Entre uma e outra garfada, encontramos Juvêncio Geraldo, taxista de motorizada nas principais artérias da cidade de Nampula, quem escolheu o tradicional arroz com feijão na companhia de uma coca-cola, bem gelada para dar-se o merecido descanso e recarregar as energias, “A Coca-cola completa minha refeição, tomar uma refeição sem coca cola não me sinto bem, assim a comida está a entrar. Nos convívios com a família e amigos, cada um pede o que prefere, mas eu fico sempre com Coca-Cola.” (Felismina Maposse)