Nampula: Trabalhadores de estações de combustíveis temem perder emprego com a anunciada crise no acesso aos produtos petrolíferos

Nampula (IKWELI) – Depois de o Governo de Moçambique reconhecer recentemente que o país está na eminência de enfrentar uma crise de combustíveis, originada por factores externos, frentistas, popularmente conhecidos por bombeiros, em Nampula temem em perder o “pão” nos seus locais de trabalho.

Segundo apurou o Ikweli, há receios generalizados de que a escassez venha a agravar-se nos próximos dias, afectando não só os trabalhadores das bombas, mas também diversos sectores que dependem do combustível.

Agostinho Chicopera, um dos trabalhadores de uma bomba de combustível no centro da cidade de Nampula, afirmou que a situação poderá prejudicar várias camadas sociais.

“Como estamos a ver, todos chapeiros e taxistas de mota estão preocupados, alguns que usam galões metálicos aparecem aqui para abastecer e conservar nas suas residências em quantidade, porque o medo é maior. Nós trabalhadores, por exemplo, estamos com medo de perder emprego, porque nenhum patrão vai aceitar a gente vir aqui só para sentar, então estamos muito preocupados com essa situação.”

O trabalhador recordou ainda que situações semelhantes já ocorreram no passado, trazendo dificuldades significativas para os profissionais do sector. “No passado aconteceu uma situação semelhante, sofremos muito, e agora o problema quase já está a iniciar, porque aqui nas bombas passam dois dias sem combustível, assim mesmo, então acho que está quase a chegar o dia de escassez.”

Por sua vez, Cassimo Francisco, taxista de mota, também manifestou preocupação com os impactos da possível escassez de combustível na sua actividade diária.

“Se for verdade estamos mal, porque nós confiamos no táxi mota para sobreviver e quando não tem essa gasolina não temos o que fazer.”

Enquanto isso, governo procura por medidas excepcionais para garantir abastecimento de combustível

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) anunciou, na última quarta-feira (15), a aprovação de medidas excepcionais com vista a garantir o abastecimento de combustíveis líquidos em todo o país.

Segundo um comunicado emitido pelo MIREME na posse do Ikweli, a decisão surge na sequência de constrangimentos no processo de distribuição, apesar de o Executivo assegurar que a importação decorre normalmente.

No documento, o Governo reconhece dificuldades enfrentadas por operadores retalhistas na aquisição de combustíveis junto dos seus distribuidores habituais, o que tem contribuído para a escassez pontual em algumas bombas, e para contornar o problema, foi autorizado, de forma urgente, que os retalhistas possam adquirir combustíveis de qualquer distribuidor licenciado com disponibilidade, independentemente dos contratos em vigor.

“Com vista a assegurar a normalização imediata da situação, foi exarado, com operadores retalhistas a adquirirem produtos petrolíferos junto de qualquer operador distribuidor, devidamente licenciado, que tenha disponibilidade de produto, independentemente dos vínculos contratuais existentes, permitindo carácter excepcional e urgente, um despacho ao nível do MIREME que autoriza assim o reabastecimento célere dos postos.”

O mesmo comunicado sublinha que “a medida visa garantir que todos os postos de abastecimento disponham de distribuidores, recuperem as condições para a retoma do seu curso normal de combustível para venda ao público e vigorará por todos os operadores distribuição. Neste contexto, a DNHC apela à calma, desencoraja o açambarcamento e a constituição de reservas domésticas de combustível, bem como o abastecimento para além do estritamente necessário.” (Malito João)