
Nampula (IKWELI) – A Alemanha compromete-se a continuar a apoiar os sectores agrário e pecuário de Moçambique, com vista ao aumento da produção agrícola, à criação de oportunidades de emprego para os moçambicanos, sobretudo jovens e mulheres, ao reforço da segurança alimentar e nutricional, ao aumento da renda das famílias e à promoção da sustentabilidade ambiental.
Trata-se de uma iniciativa que pretende fortalecer as ligações entre os produtores e os mercados de comercialização de produtos agrícolas, um programa a ser implementado pelo sector agrário moçambicano, em coordenação com o Banco Mundial, com um investimento de 500 milhões de meticais.
De acordo às as informações avançadas por aquele país europeu, o financiamento será dividido em duas fases: a primeira decorrerá durante cinco anos, com um investimento de 250 milhões de meticais, enquanto a segunda fase contará com igual montante para os cinco anos subsequentes.
A informação foi tornada pública nesta quinta-feira (4) pela directora do programa Vamoz Competir, da GIZ – Cooperação Alemã, Silke Hanson, em representação do embaixador da Alemanha, durante a cerimónia de abertura oficial da sessão do Conselho Colectivo Regional do Sector Agrário e Pesqueiro e da Reunião Regional do Comité de Coordenação do Sector Agrário que decorreu na cidade de Nampula e foi dirigido pelo Secretário Permanente do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, acompanhado pelo governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, bem como por outras entidades públicas, privadas e parceiros de cooperação.
Neste âmbito, o Secretário Permanente do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Acubar Paulo Batista, manifestou satisfação com o apoio anunciado e acrescentou que o Governo moçambicano está a estudar novas estratégias para o desenvolvimento do sector agrário, com maior enfoque nas culturas alimentares básicas e nas culturas de rendimento, promovendo sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis, apoiados por culturas resilientes e pelo fortalecimento das cadeias de valor.
Já o governador da província, Eduardo Abdula, afirmou que, embora Nampula seja uma região privilegiada devido a sua extensa faixa costeira e a abundância de recursos minerais, continua a enfrentar dificuldades relacionadas com o acesso à terra, a expansão dos sistemas de irrigação, a disponibilidade de sementes certificadas, o acesso ao financiamento rural, a mecanização agrícola, a disponibilidade de insumos para a produção pecuária e pesqueira e os impactos cada vez mais severos das mudanças climáticas.
O governador salientou a necessidade de mais investimento produtivo, assistência técnica, acesso ao crédito, inovação e tecnologias ao serviço dos produtores, incluindo o fortalecimento das cadeias de valor para garantir o escoamento da produção e melhorar o rendimento das famílias.
Durante a sua intervenção, Abdula referiu que, no âmbito do programa de mecanização agrária, têm sido desenvolvidas várias acções de apoio aos produtores, tendo sido já distribuídos seis tractores aos distritos de Muecate, Nacarôa, Liupo, Malema e Ribáuè, estando em curso a integração de mais dois tractores destinados aos distritos de Mecubúri e Lalaua.
O dirigente explicou ainda que o programa prevê a criação de blocos de produção mecanizada de 100 hectares por distrito, permitindo incorporar anualmente mais de 800 hectares de produção mecanizada e beneficiar cerca de 800 famílias, com prioridade para mulheres vítimas de uniões prematuras e jovens.
De acordo com o governador, é neste âmbito que nos próximos dias Nampula acolherá a Feira Económica e a 2ª edição da Conferência Internacional de Nutricional e Agronegócio, com o objectivo de promover o potencial económico da província, estimular o investimento em diferentes áreas, sobretudo no sector agrário, e fomentar o diálogo e a partilha de conhecimentos entre os intervenientes dos sectores agrícola e pesqueiro.
Por sua vez, Lito Raimundo, director da Aliança para uma Revolução Verde em África (AGRA), considerou que as províncias de Nampula, Niassa e Cabo Delgado possuem elevado potencial para a produção agrícola e pecuária e para a sustentabilidade das famílias, embora enfrentem desafios relacionados com as mudanças climáticas, o acesso limitado a insumos melhorados e as perdas pós-colheita.
Raimundo acrescentou que os impactos socioeconómicos e a instabilidade social na província de Cabo Delgado exigem uma resposta coordenada do Governo moçambicano e dos parceiros de cooperação, de forma a minimizar as dificuldades que constituem um grande desafio para o sector agrário e pecuário.
A fonte garantiu que a sua organização continuará a apoiar o Governo de Moçambique, através do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas e dos governos provinciais, disponibilizando ferramentas e recursos que possam fortalecer as acções em curso e contribuir para soluções adaptadas às realidades locais. (Virgínia Emília)




