
Nampula (IKWELI) – Pelo menos três pessoas perderam a vida no distrito do Gilé, na província da Zambézia, quando tentavam atravessar o rio Namirue, fazendo-se transportar numa canoa que veio a ser arrastada pela fúria das águas, perdendo assim o controle.
Uma fonte no local contou ao Ikweli que suspeita que o acidente tenha sido motivado por problemas técnicos. “As pessoas sempre fazem travessia nesse rio Namirue por falta de uma ponteca, então uma família quando tentava chegar noutra margem, a canoa afundou, não sabemos se foram problemas técnicos ou sobrecarga. Seguiam na canoa, um senhor com a sua esposa e filho,” disse Quesito da Silva.
A fonte explicou que quando a canoa começou a afundar, um senhor tentou salvar, mas sem sucesso. “Um senhor que estava noutra margem correu para tentar salvar a criança e a mãe, mas a força das ondas era elevada, e terminou em morte das três pessoas.”
Face a tragédia, a população pede que sejam reforçadas medidas de segurança de modo a evitar mais tragédias como estas, uma vez que o único meio para atravessar para no local é com base em canoas, muitas das vezes sem as mínimas condições.
No mesmo distrito, três pessoas foram linchadas semana finda pela população local, no povoado do Namuaca sob acusação de crime de exumação de ossadas humanas.
“A população encontrou um carro parado com três pessoas e concluíram que são os mesmos que costumam vandalizar cemitérios, queimaram o carro e as pessoas vivas, porque diziam que faziam tráfico de seres humanos,” disse uma das fontes.
A Porta-voz da Polícia da República de Moçambique na Província da Zambézia, Belarmina Henriques, em contacto telefónico com o Ikweli, apelou a população a ter cuidados na travessar dos rios, principalmente nesta época em que a chuva vem caindo.
“Estamos num momento de chuvas intensas e é preciso que a população não se faça aos rios sem as devidas precauções, uma vez que não temos embarcações condignas e a população usa as embarcações a remo, dai que é preciso que quando há mau tempo, evitar ir ao rio até o tempo melhorar, porque com água não se brinca, pior ainda que a nossa população não tem habilidade de natação,” apelou a porta-voz.
Quanto a justiça pelas próprias mãos, a porta-voz desaconselha esta prática, pois “é preciso aproximar as entidades policiais, caso a população não veja como chegar a polícia, pode aproximar outras administrações da justiça da província como o caso da procuradoria e expor as preocupações para evitar a justiça privada, porque quando as pessoas fazem a justiça pelas próprias mãos, acabam tirando a vida de alguém inocente, e mesmo que a pessoa fosse culpada de um determinado crime, é preciso aproximar as entidades de justiça, porque todo cidadão tem direito à vida,” exortou a porta-voz. (Francisco Mário)



