
Nampula (IKWELI) – Os trabalhadores do município de Nacala, em Nampula, continuam a viver dias difíceis, marcados por incerteza e sofrimento, numa crise que já “ganhou barbas brancas”.
Pelo décimo dia consecutivo, permanecem em greve, sendo obrigados a passar noites ao relento, em condições precárias e inseguras.
Sem alternativas, muitos trabalhadores instalaram-se em espaços abertos, expostos ao frio e à chuva, numa situação que levanta sérias preocupações da saúde pública. A reivindicação mantém-se clara, o pagamento imediato de pelo menos três meses de salários em atraso.
No terreno, relatos indicam que a situação está a degradar-se rapidamente. Alguns trabalhadores já contraíram malária, enquanto outros apresentam sintomas de doenças associadas à exposição prolongada as más condições.
Ainda assim, a maioria mantém-se firme, prometendo não abandonar a luta até ver os seus direitos assegurados. Apesar da gravidade do cenário, o município de Nacala continua em silêncio.
Os manifestantes consideram que a ausência de diálogo demonstra falta de sensibilidade por parte da actual gestão municipal, agravando ainda mais a tensão social. Para eles, o mínimo esperado seria a reabertura de canais de negociação para encontrar uma solução urgente. Entretanto, a crise de salários em atraso não se limita a Nacala.
Municípios como Angoche e Ilha de Moçambique estão entre os mais afectados, liderando a lista de dívidas salariais e ultrapassando autarquias como Ribáuè, Malema, Mossuril e Monapo, onde a situação também preocupa, mas com menor gravidade. Os trabalhadores recordam que, em mandatos anteriores, apesar de existirem atrasos, nunca se sentiram tão desvalorizados e abandonados como agora. A atual conjuntura é apontada como reflexo de uma gestão considerada ineficaz, deixando centenas de famílias mergulhadas em dificuldades e sem perspectivas imediatas de solução. (Malito João)



