“A paz é uma construção colectiva, permanente e exigente,” Eduardo Mariamo Abdula, governador de Nampula, na abertura da conferência regional de líderes religiosos

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, recordou aos líderes religiosos nesta quarta-feira (4), que a paz é uma construção colectiva, permanente e exigente.

A cidade de Nampula acolhe, entre hoje e amanhã, a conferência regional de líderes religiosos, sobre o lema “Recursos Islâmicos sobre Paz: Um intercâmbio entre Teólogos Muçulmanos o Norte de Moçambique”.

“A paz não é um dado adquirido nem um simples ponto de chegada. A paz é uma construção colectiva, permanente e exigente, que se faz todos os dias, nas comunidades, nas instituições e nas consciências. É por isso que este encontro assume particular relevância para a Província de Nampula e para o Norte do País,” disse a governador, sublinhando que “é portanto, com pleno sentido de responsabilidade institucional que participo nesta Conferência Regional de Líderes Religiosos, que reúne lideranças com reconhecida influência espiritual, social e comunitária, em torno de um tema que nos interpela a todos: a paz enquanto fundamento da convivência, da estabilidade e do desenvolvimento.”

“A laicidade do Estado constitui uma conquista fundamental do nosso quadro legal-constitucional. É ela que garante a liberdade de consciência e de religião, assegurando que cada cidadão possa professar a sua fé em condições de igualdade, dignidade e respeito mútuo. Importa, contudo, afirmar com clareza que a laicidade não significa afastamento, hostilidade ou indiferença em relação ao fenómeno religioso. Não remete a fé para o domínio exclusivo do íntimo ou do privado. Pelo contrário, cria o espaço necessário para a sua expressão livre e responsável na esfera pública e para um diálogo institucional franco entre o Estado e as confissões religiosas, bem como entre estas entre si,” referiu o governador.

Num outro desenvolvimento, Abdula disse que em Nampula, o diálogo inter-religioso não é um exercício teórico nem um mero enunciado de boas intenções. É uma necessidade prática de governação e de convivência social. É este diálogo que tem permitido, ao longo do tempo, prevenir tensões, resolver conflitos localizados e assegurar que a diversidade religiosa nunca se transforme em factor de divisão, mas antes em elemento de equilíbrio e coesão.”

Aos líderes religiosos, o governador apontou que “num contexto marcado por desafios sociais complexos, por vulnerabilidades económicas e por situações de maior fragilidade comunitária, o papel das lideranças religiosas revela-se particularmente relevante. Pela sua proximidade às comunidades, pela autoridade moral que detêm e pela capacidade de escuta e mediação, as confissões religiosas são parceiras incontornáveis na promoção da paz social, na prevenção de conflitos e na defesa da dignidade humana,” tanto é que “enquanto Governador da Província de Nampula, afirmo com convicção que a paz não se decreta: constrói-se. Constrói-se quando cada actor assume a sua responsabilidade. O Estado, garantindo justiça, inclusão e equidade. As lideranças religiosas, promovendo tolerância, moderação e respeito pela diferença. As comunidades, rejeitando a violência como linguagem e escolhendo o diálogo como caminho.”

“A história da Província de Nampula é, felizmente, testemunho desta convivência possível. Ao longo do tempo, diferentes crenças têm coexistido de forma harmoniosa, contribuindo para a estabilidade social e para um ambiente de respeito mútuo que importa preservar e reforçar,” por isso “é com base nesta realidade concreta que reafirmo a total disponibilidade do Governo da Província de Nampula para continuar a trabalhar em estreita colaboração com as confissões religiosas, com a sociedade civil e com os parceiros, não apenas em momentos formais, mas na construção de soluções práticas que consolidem a paz, reforcem a segurança e criem condições para um desenvolvimento inclusivo e sustentável.”

Eduardo Abdula concluiu afirmando que “a paz é um bem demasiado precioso para ficar apenas no plano dos discursos. Exige coerência, responsabilidade e acção continuada. É esse o desafio que temos diante de nós.”

A conferência regional de líderes religiosos conta com a presença do embaixador da Suíça em Moçambique e do ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos. (Redação)

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