Estado alerta: Fundo de compensação não deve ser usado para salários dos autarcas

Nampula (IKWELI) – O Secretário de Estado na província de Nampula, Plácido Pereira, desaconselhas as autarquias locais a utilizarem o Fundo de Compensação Autárquica para o pagamento de salários dos eleitos, sublinhando que este mecanismo foi concebido para apoiar actividades de desenvolvimento local e não para sustentar folhas salariais.

Segundo o governante, as autarquias dispõem de autonomia patrimonial e financeira e devem garantir os salários através da colecta de receitas próprias, resultantes da cobrança de taxas e impostos municipais. 

“No que diz respeito ao atraso salarial, o que pode estar a acontecer é somente a colecta de receitas próprias. As autarquias são órgãos independentes com autonomia patrimonial e financeira e elas têm um código tributário onde vêm arroladas as fontes de receita. O exercício que tem que ser feito pelas autarquias é cobrar mais receitas para suprir essa questão de salários,” afirmou.

Pereira recordou que o Fundo de Compensação Autárquica não foi criado para sustentar salários dos eleitos, mas sim para compensar falhas de arrecadação local. “O que tem acontecido, por vezes, é argumento do fundo de compensação autárquica e eu já tinha dito uma vez, numa visita ao sector das finanças, que o fundo de compensação autárquica, como o nome diz, é para compensar aquilo que a autarquia não consegue cobrar,” esclareceu.

Actualmente, segundo explicou o SdE na província de Nampula, 3% das receitas fiscais do Estado são transferidas para as autarquias: 1% para o Fundo de Investimento de Iniciativa Autárquica e 2% para o Fundo de Compensação Autárquica. No entanto, reforçou que esse montante deve ser canalizado, prioritariamente, para actividades de desenvolvimento. 

“O desafio e o alerta que nós sempre damos a todas autarquias é que têm que cobrar receitas e não violar a lei, porque em algum momento paga-se o fundo de compensação autárquica e paga-se aos eleitos. O fundo de compensação autárquica não deve ser pago aos eleitos, pois os eleitos são pagos com receitas próprias,” concluiu.

Para Plácido Pereira, os atrasos salariais registados em alguns municípios devem-se essencialmente à fraca colecta de receitas, pelo que apelou às autarquias a reforçarem os mecanismos de cobrança local em vez de dependerem das transferências do Estado. (Malito João)

Hot this week

“Nampula dispõe de atractivos de elevado valor turístico,” reconhece Álvaro Massingue, presidente da CTA

Nampula (IKWELI) – O Presidente da Confederação das Associações...

Estimulantes sexuais estão a matar jovens em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN),...

Murrupula: Jovem encontra no corte e costura o refúgio para sustentar a família

Nampula (IKWELI) – Osvaldo João, jovem de 24 anos...

Por conta da crise de combustíveis, mercado do Waresta regista escassez de produtos

Nampula (IKWELI) – O mercado grossista do Waresta, localizado...