Roubo de enxadas e capulanas no cemitério de Mukhurua indigna famílias 

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Nampula (IKWELI) – O aumento de casos de roubo de enxadas e capulanas durante cerimônias fúnebres no cemitério de Mukhurua, localizado no bairro de Napipine, arredores da cidade de Nampula, está a preocupar profundamente a população local.

Moradores e familiares que participam de funerais relatam que tais episódios, além de trazerem insegurança, representam um desrespeito ao momento de dor e luto.

Segundo apurou o Ikweli, a situação arrasta-se há bastante tempo e tem motivado constantes denúncias da população, que considera esta prática antiética e desumana.

Recentemente, a nossa equipa presenciou um episódio em que uma família, já abalada pela perda de um ente querido, viu-se obrigada a chorar duas vezes, durante a seleção das pessoas que deveriam abrir a cova, e constatou-se que o material de escavação havia desaparecido.

Outro problema recorrente é o pedido de capulanas para auxiliar na amarração do caixão, que depois não são devolvidas, lesando ainda mais os participantes da cerimônia.

Isilda Luís, residente em Mukhurua, contou que já presenciou diversas vezes situações de roubo durante funerais, sobretudo de enxadas.

“Há pessoas que fingem ser familiares, mostram solidariedade e compaixão, mas estão apenas a observar o ambiente para roubar, já aconteceu até de levarem telemóveis à noite. No cemitério, as enxadas nunca voltam, até mesmo coroas colocadas nos túmulos são levadas. Pedimos ao município que olhe com atenção para os cemitérios dos bairros e também apelamos às famílias enlutadas para que sejam vigilantes, porque há muitos oportunistas nestas ocasiões,” disse.

Na mesma linha, Adérito Chocas afirmou que esta prática “já tem barbas brancas,” pois não é novidade para a comunidade.

 “Mesmo no silêncio, isso rói o coração das famílias, já aconteceu antes dos enterros, quando jovens pedem material alegando que vão cavar no cemitério, mas na verdade são ladrões. As pessoas aproveitam-se muito dos funerais para roubar. Não são apenas enxadas, até as capulanas pedidas para amarrar caixões nunca voltam” lamentou.

A população exige medidas urgentes de modo a travar este fenómeno que continua a manchar momentos de despedida e dor. (Malito João)

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