Nampula (IKWELI) – Alguns vendedores a nível da autarquia de Nampula, por sinal capital da província com o mesmo nome, decidiram tomar de assalto a Praça da Liberdade localizada no centro da cidade, local onde foi erguida a estátua do primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel, para realizar as suas actividades comerciais.
Nos últimos dias, quando o ponteiro do relógio alcança o meio-dia, a histórica Praça da Liberdade, popularmente conhecida por Rotunda do Hospital Central de Nampula, transforma-se num autêntico mercado a céu aberto.
Mesmo que de forma tímida, os vendedores ostentam montras comerciais variados, desde frutas a legumes, acessórios electrónicos entre outros produtos alimentares que fazem parte do cenário da praça, para preocupação dos munícipes da urbe.
Em entrevista ao Ikweli, António José, um dos munícipes da autarquia, lamenta o cenário que se verifica naquele ponto, tendo classificado como “um autêntico desrespeito e desvalorização da imagem do nosso herói nacional, Samora Machel”.
Já Maria Augusta destacou a praça como um local de lazer onde diversas famílias, assim como turistas, aproveitam para colocar suas ideias e planos em dia.
“Esta praça devia ser um local de lazer, para passear com a família. Isto que eles estão a fazer estraga a imagem dela e não podemos esquecer que está localizada no centro da cidade”.
Sentada em um dos bancos da praça, Ernestina Napaua revelou que ocupa o local há um mês, sua actividade está relacionada com a venda de pão e pastéis de feijão nhemba, vulgo “badjias”.
A mesma explicou não estar a vender no local por vontade própria, mas “estou aqui para sustentar minha família. Sabemos que o local não é apropriado, mas é o único espaço onde conseguimos vender alguma coisa”.
Executivo de Giquira promete apertar o cerco
Trata-se de uma realidade que é de conhecimento do executivo de Luís Giquira, presidente do município de Nampula, que através do pelouro de Mercados e Feiras garantiu que estão em curso acções de sensibilização, com vista a retirar os vendedores da Praça da Liberdade de forma pacífica e ordeira.
Em entrevista ao Ikweli, o vereador de Mercados e Feiras, Augusto Tauancha, disse estar consciente da situação social difícil que a sociedade enfrenta, no entanto, a ocupação de espaços históricos e de lazer não pode ser a solução.
“Estamos a dialogar com os vendedores para que se retirem voluntariamente e estamos a identificar alternativas, incluindo o reforço de espaços nos mercados formais da cidade”.
Para Tauancha é uma falta de respeito a figura de Samora Machel, por isso revelou haver um plano de restruturação da praça e os vendedores terão que abandonar o local.
“Notamos que aquilo é uma falta grave de respeito onde está o nosso herói, o nosso libertador e estarmos a usar o local para venda. Temos um pacote muito forte para restruturar aquela praça (…) a intenção é montar alguns sanitários ao longo da praça, estamos a falar de uns três isso para corrigir a prática do uso de arvores”.
De acordo com o vereador, já foi criada uma equipe de sensibilização que irá encaminhar os vendedores ao mercado central local onde “lá tem um espaço no primeiro andar para onde serão reconduzidos. Numa primeira fase estamos a fazer acção de mobilização com uma equipe multissectorial que inclui polícia municipal e técnicos da área de mercados e feiras”.
A Praça da Liberdade, para além de ser espaço de lazer e símbolo de resistência, tornou-se agora palco de um desafio urbano que põe à prova o equilíbrio entre o direito ao trabalho e a preservação do património coletivo da cidade de Nampula. (Ângela da Fonseca)





