Nampula: Brigadistas mulheres vêm actividade como oportunidade de emprego

Nampula (IKWELI) – O fenómeno de desemprego que, também, largamente, afecta mulheres na província de Nampula faz com que jovens e adultos estejam, frequentemente, nas ruas a procura de algo para fazer.

As eleições, que acontecem a cada cinco anos, têm sido uma dessas oportunidades, a qual alegra mulheres.

O Ikweli entrevistou algumas brigadistas envolvidas no processo de recenseamento eleitoral, as quais comentam que mais do que contribuir para a consolidação da democracia, também, encontram uma oportunidade de emprego, ainda que precária.

Ancha Joaquim que é brigadista no posto instalado na escola primária de Mutauanha, nos arredores da cidade de Nampula, não esconde a sua satisfação por ter sido escolhida, pois estava cansada de sentar em casa. Ela diz que o trabalho é duro, devido a qualidade dos intervenientes, sobretudo “os eleitores com diferentes hábitos e costumes”, por isso “é necessária muita paciência, garra e dedicação”.

Esta fonte disse que o processo de selecção foi renhido, pois havia muitos concorrentes. “Foi visível muitos jovens sem emprego e todos lutando pela mesma vaga”.

No mesmo posto, entrevistamos Locasta Alino, que considera que “fazer parte do processo, sobretudo como entrevistadora, é uma vantagem porque são várias experiências colhidas no dia-a-dia, para além de ser uma alternativa para permitir a sobrevivência da minha família”.

“Como mulher envolvida neste processo, o meu maior desafio é fazer com que, pelo menos, uma parte da população seja recenseada”, disse.

Locasta lamenta o facto de muitos homens não respeitarem as mulheres naquela posição. “É recorrente o desrespeito pela mulher”, conta.

Por outro lado, esta nossa interlocutora lamenta a falta de oportunidades de emprego no mercado para jovens recém-formados, sobretudo. “Não havendo espaço de emprego, estamos a trabalhar como brigadistas neste processo de recenseamento eleitoral”.

“A luta pelo emprego é maior em todo o país, mas a expectativa é sempre continuar na procura de formas legais de alimentação”, comenta.

Maria Joaquina anda no mundo da supervisão eleitoral desde 1994, ano em que Moçambique realizou as suas primeiras eleições na história da democratização e no corrente ano e supervisora na brigada instalada na escola comunitária da ADEMO.

É desejo desta senhora que os órgãos eleitorais envolvam, activamente, mais mulheres nos processos eleitorais a todos os níveis.

No posto instalado na escola primária 7 de Abril, no centro da cidade de Nampula, as mulheres ali afectas estão felizes por puderem, activamente, participar no processo de recenseamento eleitoral, mas queixam-se do fenómeno do assédio sexual. (Nelsa Momade *Foto: Ilustrativa)

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