Município de Nampula adquire asfalto fora do prazo

Nampula (IKWELI) – O conselho municipal da cidade de Nampula, no norte de Moçambique, é referenciado como tendo adquirido 600 tambores de asfalto fora do prazo, alegadamente, para a reabilitação e manutenção das vias da urbe.

Ao todo, segundo apurou o Ikweli, a edilidade teve de desembolsar 11,8 milhões de meticais para o produto.

Fontes do nosso jornal, que nos pediram o anonimato, confidenciaram-nos que o mesmo produto estava no estaleiro de uma empresa na cidade de Nacala-Porto há bastante tempo, facto que concorreu para o mesmo estivesse fora do prazo.

A 26 de Maio do corrente ano de 2020, a edilidade, na sua página da rede social Facebook, anunciou que “desembolsou mais de onze milhões de meticais para a aquisição de 600 tambores de asfalto que será usado para a reabilitação de vias de acesso na urbe”.

As nossas fontes, entendidas na matéria, revelaram que o referido asfalto é de produção paquistanesa com a referência de 80/100, e foi importado há bastante tempo, estando guardado na cidade portuária de Nacala.

Paralelamente, os nossos interlocutores revelaram que vezes sem conta, algumas empresas do ramo de importação e venda de asfalto, sedeadas na província de Nampula, foram contadas pelos “donos” do referido produto para a respectiva compra a um preço simbólico, sendo que o último contacto foi feito no mês de Abril findo. Aliás, as fontes deram a entender que, ao todo, as referidas empresas gastariam 7,8 milhões de meticais para adquirir a mesma quantidade que o elenco de Paulo Vahanle desembolsou os alegados 11,8 milhões de meticais.

“Pelas fotos publicadas no Facebook do município, dá para entender que são os mesmo tambores de asfalto que outrora haviam enviado nessas empresas, são tambores velhos. E como sabes, localmente as nossas refinarias não operam, pelo que o asfalto é importado. Sabemos que não somos nada, talvez com um trabalho da alfândega podia apurar-se a veracidade da validade ou não do asfalto adquirido pelo município”, precisaram as nossas fontes.

Para além de alertar que o produto está fora do prazo, as nossas fontes foram mais longe ao preverem o possível interesse extra por parte da própria edilidade, quando analisado o resultado do concurso público.

Informação que o Ikweli teve acesso, através de fontes seguras, dão conta que o referido concurso público, lançado no mês de Dezembro de 2019, duas empresas concorreram. Trata-se das empresas Izac – Construções, que entrou com uma proposta de 11.817.000,00 Meticais, e a Casa Fabião, com uma proposta de 11.175.857,55 meticais, tendo sido adjudicada a Izac – Construções.

Segundo a mesma informação, ao se lançar aquele concurso público, a edilidade pretendia adquirir 150 tambores de asfalto com a referência de 70/80/100, 300 tambores de emulsão e 50 tambores de cola. Entretanto, a informação é contrária a que foi publicada na página oficial do município, segundo a qual “dos 600 tambores 350 são de emulsão asfáltica, 150 tambores de 70/80/100 e 100 de MC30”.

“O que sabemos é que quando há um concurso destes, eles fornecem 100 ou 200 tambores, e o resto de dinheiro vai para o bolso dos dirigentes”, recordam as nossas fontes.

Edilidade sem informação sobre a validade do asfalto

Chamado a reagir a denúncia, o vereador do pelouro de Manutenção e Obras no Conselho Municipal de Nampula, Yazido Izidine Muhindine, disse, entretanto, não precisar avançar sobre a qualidade do asfalto, uma vez que ainda não foram feitos os ensaios no terreno. Aliás, a fonte não descarta a possibilidade de os denunciantes se socorrerem em meras suposições.

“São suposições, talvez as pessoas que fazem suposições tenham tido feito testes, mas nós não estamos a trabalhar com suposições. Temos o asfalto e vamos usar porque nos serve, se por eventualidade não nos servir, estamos num concurso que tem contrato estatal que são passíveis de ser reclamados ou qualquer outra coisa”, disse, para depois concluir que “ainda não recebemos todo material, assim que recebermos vamos aplicar e fazer a experiência, depois vermos o que é, mas nós temos adquirido o asfalto e nos serve para as nossas estradas”. (Constantino Henriques)

 

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