Antigos combatentes dispostos a combater insurgentes em Cabo Delgado

Nampula (IKWELI) – Assinalou-se nesta segunda-feira (3) o dia dos heróis moçambicanos, em homenagem a Eduardo Mondlane, primeiro presidente da Frelimo, assassinado na data, em 1969, em Dar-es-Salam, Tanzânia, no auge da luta armada de libertação nacional.

Na cidade de Nampula, membros da Associação dos Combatentes da Luta Armanda de Libertação Nacional (ACLIN) reivindicam a sua integração nas fileiras das Forças de Defesa e Segurança (FDS) para contribuírem no combate aos insurgentes armados que há mais de dois anos semeiam luto e terror na província de Cabo Delgado, norte do país.

Jacinto Kavandane, membro da ACLIN em Nampula, acusa ao presidente do seu partido, Filipe Nyusi, de estar a enviar jovens/miúdos para linhas de combate mortíferas, no lugar de entrega-los armas para que eles combatam os insurgentes, tal como foi no caso da luta armada contra o colonialismo português.

Rodeado por outros antigos combatentes, na praça dos heróis em Nampula, que a cada afirmação iam concordando com gestos, Kavandane disse que o seu grupo tem capacidade de pôr fim ao cenário que se vive em Cabo Delgado.

“Dizem que os antigos combatentes não tem forca porque estão doentes, claro, mas existem aqueles um pouco novos e com muita forca, deviam escolher os mesmos e entregar armas. Nós vamos combater”, disse Kavandane, para depois questionar: “Isso de os insurgentes decapitarem pessoas porquê deve acontecer desta maneira?”.

“Nós (antigos combatentes) estamos preparados”, garantiu a fonte, para depois afirmar que “só Nyusi é que não quer chamar os antigos combatentes para essa guerra. Ele fala com a população, mas para os antigos combatentes não diz nada. Isso aconteceu, também, para os outros presidentes, bastou entrar não quer ligar para os antigos combatentes. Agora, o Kavandane está a pedir a arma e a pistola dele. Eu vou para lá combater os insurgentes”.

“Eu não sou médico para ter medo de morrer, quero ir combater esses que matam pessoas nas aldeias, não podem proibir as armas”, concluiu Jacinto Kavandane. (Aunício da Silva e Constantino Henriques *Foto: Hermínio Raja)

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