
Nampula (IKWELI) – A negligência de alguns pais e cuidadores no acompanhamento de crianças vivendo com HIV está a comprometer a adesão ao tratamento e a colocar em risco a saúde de centenas de menores assistidos pela Associação para o Fortalecimento Comunitário OVARELELANA, na província de Nampula. O alerta foi lançado por Elsa Namarocolo, oficial da organização, que revelou ao Ikweli que a associação acompanha 4.150 crianças vivendo com HIV nos distritos de Nampula, Nacala, Muecate e Meconta. Do total de crianças assistidas, 2.917 encontram-se no distrito de Nampula, 665 em Nacala, 432 em Meconta e 136 em Muecate.
Segundo Namarocolo, uma parte das crianças enfrenta dificuldades na continuidade do tratamento, situação que pode comprometer a sua saúde e favorecer o aparecimento de infecções oportunistas. A responsável explicou que o trabalho da associação começa com a identificação das crianças nas unidades sanitárias e prossegue junto das famílias, através do acompanhamento comunitário, aconselhamento e reforço da adesão à medicação e às consultas médicas.
“Assistimos crianças órfãs e, dentro deste grupo, crianças que vivem com HIV. Fazemos o acompanhamento a nível comunitário, desde a captação na unidade sanitária até às famílias, garantindo a adesão e retenção, o que envolve a lembrança das consultas e o aconselhamento sobre o cumprimento dos horários da medicação, para que tenham a carga viral suprimida”, explicou.
A oficial revelou que, segundo os dados apresentados pela associação, 3.239 crianças apresentam supressão viral, enquanto 424 continuam com carga viral elevada, uma situação que atribui a diferentes factores, entre os quais a negligência dos cuidadores e as dificuldades de aceitação do diagnóstico por parte de alguns adolescentes.
Namarocolo explicou que, entre os menores dos zero aos 17 anos acompanhados pela organização, há adolescentes que resistem à toma dos medicamentos por não aceitarem a sua condição de saúde. Perante estes casos, a associação reforça o acompanhamento psicossocial, através de gestores de casos que realizam visitas domiciliárias e trabalham directamente com as famílias para melhorar a compreensão da doença e garantir a continuidade do tratamento.
“Há adolescentes que não aceitam o seu estado e isso acaba por comprometer a toma correta dos medicamentos. Quando identificamos estas situações, enviamos os nossos gestores de casos para reforçar o apoio psicossocial, consciencializar as famílias e ajudar as crianças a receberem o tratamento adequado. Em algumas situações, os gestores chegam a acompanhar presencialmente o momento da toma da medicação”, afirmou.
A responsável apelou à sociedade para que encare o HIV como uma condição de saúde que permita uma vida com qualidade, desde que sejam cumpridas as recomendações médicas e mantida a adesão ao tratamento. Defendeu igualmente a importância do apoio familiar e da comunicação adequada sobre o diagnóstico, sobretudo no acompanhamento de crianças e adolescentes.
Namarocolo advertiu que a interrupção ou o incumprimento do tratamento pode comprometer o sistema imunitário e aumentar a vulnerabilidade a outras doenças, como a tuberculose e infecções recorrentes, além de provocar perda de peso inexplicável. (Francisco Mário)






