
Nampula (IKWELI) – O Governo do distrito de Nacala-à-Velha, na província de Nampula, assumiu o compromisso de reforçar as acções de prevenção e combate às uniões prematuras e à violência baseada no género, através de uma declaração subscrita no último fim-de-semana, durante um encontro que juntou cerca de 50 participantes, entre adolescentes, jovens, autoridades governamentais e líderes comunitários e religiosos. A iniciativa, promovida pela Plataforma de Participação de Adolescentes e Jovens de Nampula, serviu para debater estratégias de prevenção e eliminação destes fenómenos, bem como mobilizar diferentes sectores da sociedade para uma intervenção conjunta.
Na ocasião, o administrador de Nacala-à-Velha, Patrício Mpangai, defendeu que o combate às uniões prematuras deve constituir uma prioridade colectiva, considerando que a imposição de responsabilidades conjugais e familiares a raparigas ainda em idade de desenvolvimento compromete as suas oportunidades de educação, autonomia e empoderamento.
“Porque toda mulher que se torna dona de casa de forma precoce nunca ganhará competência para decidir do seu próprio empoderamento. Portanto, uniões prematuras são um compromisso grave contra o futuro da sociedade”, afirmou.
Na perspectiva do dirigente, a ocorrência de uniões prematuras pode contribuir para a perpetuação de problemas sociais, sobretudo quando crianças e adolescentes são privados das condições necessárias para o seu desenvolvimento e formação.
Mpangai apelou, por isso, a uma mobilização colectiva para eliminar esta prática, assegurando que o Governo distrital está disponível para liderar os esforços nesse sentido.
“Por isso, assumimos esse compromisso em nome do Governo e, em meu nome próprio, declaro a minha prontidão para caminharmos rumo à eliminação das uniões prematuras no nosso distrito. Não há nenhum mal que dure enquanto a sociedade decidir, em conjunto, eliminar esse mal”, declarou.
O administrador manifestou igualmente preocupação com o silêncio que, em alguns casos, envolve situações de violação sexual de menores, criticando a tendência de algumas pessoas demonstrarem compaixão pelos autores dos crimes, em detrimento da protecção das vítimas.
“O medo da denúncia deste mal por conta de pena daquele que violou uma criança, acham que esse adulto não merece ser sancionado? Quem merece viver eternamente condenado a este mal é a criança violada”, questionou, defendendo a necessidade de denunciar e responsabilizar os autores destes crimes. Na mesma ocasião, o dirigente apelou ao envolvimento de todos os sectores da sociedade no combate a práticas que comprometem o desenvolvimento social, incluindo a corrupção e o incumprimento das responsabilidades profissionais nos serviços públicos.
“Àqueles que roubam medicamentos nos hospitais, aqueles professores que dão aulas de terça a quinta-feira e todos os outros na sociedade, juntos temos que combater esse mal”, apelou. A assinatura da Declaração de Compromisso representa, assim, uma manifestação de vontade institucional para reforçar a prevenção das uniões prematuras e da violência baseada no género, envolvendo o Governo, as comunidades, as lideranças locais e os próprios adolescentes e jovens. (Malito João)






