
Maputo (IKWELI) — O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu, esta terça-feira (13), em Maputo, que a acção antecipada é essencial para reduzir os impactos humanos e económicos dos desastres naturais em Moçambique.
A posição foi apresentada na abertura da Conferência Internacional sobre a Redução do Risco de Desastres, ocasião em que apelou ao investimento em tecnologias de aviso prévio, infra-estruturas resilientes e capacitação dos mais de 1.500 comités locais de gestão do risco de calamidades.
O encontro, que assinala o Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, decorre sob o lema “A Resiliência Começa em Casa” e tem como um dos principais destaques o lançamento do Quarto Relatório Bienal de África sobre a Implementação do Quadro de Sendai, referente ao período 2023-2024.
Segundo o Chefe do Estado, as cheias, os ciclones e as secas representam 90% dos danos provocados por desastres em África no biénio em referência.
Apesar de Moçambique figurar entre os dez países do mundo mais afectados pelos desastres naturais, o país foi eleito Campeão da União Africana para a Gestão e Redução do Risco de Desastres, em reconhecimento dos progressos alcançados na minimização dos impactos destes fenómenos.
De acordo com Daniel Chapo, uma parte importante dos esforços de prevenção e resposta aos desastres começa nas comunidades, através dos cerca de 1.500 comités locais de gestão do risco de calamidades, que actuam sobretudo nas zonas ciclicamente afectadas por cheias, ciclones e inundações.
“Quando acontecem cheias, quando acontecem ciclones, quando acontecem inundações, o nosso foco tem sido nestas senhoras e nestes senhores, nestes nossos soldados da linha da frente, nestes nossos líderes, heróis e verdadeiros campeões do povo moçambicano, que ficam no terreno 24 horas por dia, de segunda a segunda, faça sol, faça chuva, faça frio, concentrados em salvar vidas”, afirmou o Presidente da República.
O Chefe do Estado destacou igualmente o papel dos sistemas de aviso prévio difundidos em línguas locais, através de megafones e rádios comunitárias, na redução da mortalidade associada aos desastres naturais.
Segundo explicou, enquanto as cheias de 1977 e 2000 provocaram mais de 700 mortes, em 2026, apesar da ocorrência de cheias de grande magnitude, o número de vítimas mortais ficou abaixo de 200, resultado que atribuiu aos esforços de prevenção e aviso prévio.
O relatório relativo ao biénio 2023-2024 indica que o número de desastres em África aumentou de 612 para 738 eventos, causando mais de 74 mil mortes, afectando cerca de 64 milhões de pessoas e provocando perdas estimadas em oito mil milhões de dólares norte-americanos.
Perante este cenário, Daniel Chapo defendeu a modernização dos sistemas de aviso prévio, o reforço das infra-estruturas resilientes e a promoção de uma cultura de prevenção e prontidão.
O governante sublinhou ainda a necessidade de investir em tecnologias de aviso prévio, integrar a resiliência nos processos de planificação e desenvolvimento e reforçar a capacidade das comunidades, através dos comités locais de gestão do risco de calamidades, para responderem atempadamente às situações de risco e, sobretudo, aos alertas de desastres. (Antónia Mazive)





