
Nampula (IKWELI) – O director executivo da associação Koshukuro, Gamito dos Santos, denuncia actos de suposta corrupção e abuso de poder perpetrados pelos gestores da autarquia da cidade de Nampula no concurso para a admissão de novos agentes na Polícia Municipal e de Fiscalização.
Segundo refere, sem apresentar razões, o vereador do pelouro de Recursos Humanos, Assane Ussene, ordenou o aumento do número de candidatos em 100%. O concurso com 60 vagas disponíveis correr desde o ano 2024.
“A Polícia Municipal, em 2024, publicou algumas vagas para o seu quadro de pessoal. Depois de algumas etapas do processo de selecção dos candidatos, foram realizados exames, nomeadamente exames médicos e de aptidão física. Após a realização desses exames, foi colocada a lista definitiva, e o Conselho Municipal tinha cerca de 60 vagas”, disse Gamito dos Santos, prosseguindo que tudo começou com a exoneração dos antigos vereadores e directores, assim como com a tomada de posse dos novos responsáveis.
Na perspectiva de Gamito dos Santos, Assane Ussene terá manipulado a lista definitiva dos candidatos para infiltrar pessoas da sua confiança nas vagas da Polícia Municipal.
“O senhor Assane Ussene, que foi transferido do pelouro da Salubridade para o pelouro dos Recursos Humanos, assumindo as funções, mandou anular os dois últimos exames da Polícia Municipal, que são o de aptidão física e o exame médico, para que as pessoas pudessem realizar novamente os referidos exames. O que poderia acontecer era serem chamados apenas os 222 antigos candidatos admitidos, mas ficámos surpresos ao ver mais 10 pessoas. Isso quer dizer que são pessoas que não iniciaram o processo desde o princípio até esta última fase.”
Segundo o defensor dos direitos humanos, entre as pessoas que aparecem na lista dos candidatos aprovados no concurso, apresentada pela Polícia Municipal, há pessoas que frequentavam a 10.ª classe na altura e que, por isso, não teriam direito de concorrer.
“A lei é clara: para ser agente da Polícia Municipal, a pessoa deve ter, no mínimo, a 10ª classe. Como é que uma pessoa que ainda está na sala de aula pode ter tido acesso a concorrer àquelas vagas? Estamos a falar do ano de 2024 e, até então, já se passaram dois anos.”
“A outra inquietação que nos aparece é que, após a divulgação da lista, no dia 11, até ao dia 13 já havia cerca de quatro listas paralelas. Era normal chegar às 12 horas, encontrar uma lista com o seu nome como aprovado e, noutra hora, encontrar o mesmo nome como reprovado. Esta divergência de informações gera-nos uma suspeita de corrupção, o que efectivamente pode ter acontecido.”
Por sua vez, Gamito dos Santos manifesta indignação com a alegada coincidência dos nomes das pessoas aprovadas, por estas terem, segundo ele, ligações com membros do partido da bandeira vermelha.
“O que aconteceu neste processo todo deve-se ao facto de que a maior parte dos que foram aprovados, cerca de 90%, são pessoas ligadas à formação política que dirige o partido. Não estamos a dizer que o filho de um camarada não tem direito, mas essa coincidência é demais.” (Hermínio Raja)






