
Quelimane (IKWELI) – O quotidiano de dezenas de famílias do bairro Manhaua C, na cidade de Quelimane, passou a ser marcado pela incerteza depois de uma vedação colocada pela empresa Aeroportos de Moçambique levantar dúvidas sobre os limites da área ocupada pelos moradores.
Muitos moradores dizem temer perder as casas onde vivem há mais de vinte anos e apelam à intervenção das autoridades antes que a situação se agrave.
Os residentes contam que ficaram surpreendidos com a colocação de novos marcos de delimitação, alegando que a infraestrutura passou a abranger uma zona onde existem habitações construídas há vários anos.
Segundo afirmam, nunca foram informados sobre alterações nos limites do terreno e receiam que as suas residências venham a ser consideradas ocupações irregulares.
Para os moradores, a presença de equipamentos públicos reforça a convicção de que a área sempre foi reconhecida como espaço comunitário. Além das casas, o local alberga uma escola e um centro de saúde, serviços que diariamente atendem centenas de pessoas da comunidade.
Entre os habitantes, cresce o sentimento de preocupação, sobretudo entre famílias que investiram as suas economias na construção das casas e que agora vivem sem saber qual será o seu futuro. Alguns afirmam que a possibilidade de uma eventual remoção tem causado ansiedade e receio, principalmente entre crianças e idosos.
Perante o impasse, os moradores defendem a abertura urgente de um diálogo entre a empresa Aeroportos de Moçambique, as autoridades locais e a comunidade e consideram que apenas uma solução negociada poderá esclarecer os limites da área e evitar conflitos ou despejos. (Malito João)






