
Nampula (IKWELI) – A Universidade Rovuma (UniRovuma), através do Campus Universitário de Nángala, do Instituto Superior de Desenvolvimento Rural e Biociências (ISDRB), acolheu recentemente, na cidade de Lichinga, província do Niassa, um encontro de reflexão sobre a paz e reconciliação em Moçambique, reunindo representantes do Governo, da Academia e da Sociedade Civil.
O encontro teve como principal objectivo analisar os principais focos de conflito, discutir estratégias de prevenção da violência e consolidar recomendações que serão apresentadas durante o II Fórum Nacional de Paz e Reconciliação, a realizar-se brevemente no país.
Decorrido sob o lema “A Voz das Comunidades na Preparação do II Fórum Nacional de Paz e Reconciliação”, o evento procurou valorizar o contributo das comunidades na construção de uma paz duradoura, promovendo um espaço de diálogo inclusivo e de concertação entre diferentes actores sociais.
Durante os debates, os participantes defenderam o reforço da cooperação entre o Governo, a Academia e a Sociedade Civil, considerando que a produção de evidências, o diálogo permanente e a definição de estratégias conjuntas são fundamentais para prevenir conflitos e consolidar a paz em Moçambique.
A sessão de abertura foi marcada pelas intervenções do representante do ISDRB, professor Arlindo Cornélio Ntunduatha, da representante da Sociedade Civil, Lídia João, e do director provincial de Educação, Félix Chapungo, que destacaram a necessidade de fortalecer o envolvimento das comunidades nos processos de reconciliação nacional.
Os trabalhos foram distribuídos em dois painéis. O primeiro abordou o diagnóstico situacional da província do Niassa, com a apresentação do relatório preliminar da cartografia de conflitos em quatro distritos, permitindo identificar os principais desafios ligados à segurança pública e aos conflitos emergentes.
O segundo painel centrou-se em matérias como a participação política, intolerância partidária, greves, vandalismo e discursos de ódio, procurando apontar mecanismos para transformar estes desafios em oportunidades de fortalecimento da convivência pacífica.
O encontro reconheceu igualmente o papel das rádios comunitárias, das organizações da sociedade civil, dos académicos e das redes locais na monitoria, prevenção de conflitos e promoção da cultura de paz.
Os participantes defenderam que o envolvimento destes actores é determinante para sensibilizar as comunidades, incentivar a resolução pacífica de conflitos e contribuir para uma estabilidade social duradoura em Moçambique. (Malito João)





