Escritores de Nampula defendem maior conhecimento da Lei da proteção autoral 

Nampula (IKWELI) – Os escritores de Nampula defenderam, nesta segunda-feira (29), num Webinar de Literatura organizado pelo Grupo de Escritores de Nampula (GEN), que os produtores literários devem conhecer a Lei autoral para preservar as suas obras de pessoas de má fé.

O escritor Wilson Assumane disse, na qualidade de orador, que autor é ser um criador de uma determinada obra de arte, que seja original, com um compromisso moral daquilo que ele cria, razão pela qual, quando sente que a sua produção está a ser prejudicada tem o direito de intervir para salvar a moralidade, justificando que

uma obra não se resume apenas pelo lado físico ou intelectual.

Para o escritor, os direitos servem para proteger os artistas, e de forma particular os da literatura, pois existe lei dos direitos autorais que protege, faltando apenas ser bem conhecida, o que os leva algumas pessoas a pensarem que não existe políticas para a protecção dos autores, e, portanto, é necessário mais aprofundamento da mesma.

“Nós como autores devemos ir atrás das leis que nos protegem porque não falta criar e ficar sentados. Devemos criar, procurar ver até onde a lei nos protege pois no meio de tudo existe muita coisa, como a ética. Não podemos criar por criar. Não se pode apenas reclamar de não massificação da lei pelo governo, quem deve ir a procura da proteção é o próprio autor,” disse Assumane.

A fonte exortou ainda que em casos de autor sentir-se lesado, é necessário aproximar a justiça porque “a justiça sempre está ali, é uma porta que precisa ser batida, ela não vem atrás de nós sem submeter alguma queixa e nós as vezes temos medo de aproximar a justiça e recorremos a justiça pelas próprias mãos. Um autor não precisa resolver problemas de plágios da sua forma, mas aproximar as autoridades que nos protegem. Infelizmente, um autor quando vê que os seus direitos estão serem violados, cruza os braços, talvez por conhecermos que a nossa justiça não se percebe, temos medo porque vamos pagar o advogado com o nosso próprio dinheiro, principalmente para o autor independente” sublinhou Assumane.

Por seu turno, o escritor Mouzinho Narope antou na ocasião que ser autor na actualidade é muito desafiador, porque é uma tarefa em que o proponente tem que fazer uma ginástica para a visibilidade no mundo literário.

“Para criar uma obra, enfrentamos grandes dificuldades em que até a própria editora acabam extraviando daquilo que é o combinado porque existem editoras em que a pessoa pode fazer todos os pagamentos para uns determinados exemplares e por sua vez fazem a mais e vão vendendo de forma clandestina porque entendem que uma das formas de obter algum lucro independentemente de o autor pagar, querem facturar mais e isso acaba prejudicando o próprio autor,” lamentou Narope.

De acordo com o orador, essa atitude de má fé por parte de algumas editoras, fica difícil controlar “e para terminar com isso, eu penso que é a responsabilidade do autor tanto como o governo porque nós só como autores será possível controlar como o livro está a circular,” exortou. (Francisco Mário)

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