
Nampula (IKWELI) – O activista social e defensor dos direitos humanos em Nampula, Gamito dos Santos, denuncia constante perseguição e ameaças de morte por indivíduos ainda desconhecidos, devido ao exercício do seu activismo que alegadamente está a incomodar certas pessoas.
Gamito dos Santos, que também é director executivo da Associação Koshukuro, afirmou que a mais recente ameaça foi na terça-feira (02), quando através de uma mensagem de pessoa próxima foi alertado que existia um plano para assassiná-lo.
“Na noite de ontem recebi as mensagens de que quando eu passava na zona da 2ª Esquadra alguém terá me feito fotos, a mensagem veio de uma pessoa também da minha confiança, e disse que há esta possibilidade de acabarem com a minha vida”, explicou Gamito dos Santos, assegurando que não é primeira vez que passa pelas mesmas situações de ameaças.
Aliás, “até me lembro que num passado recente indivíduos desconhecidos invadiram minha residência junto da minha família por 3 vezes, além de igualmente ter sofrido 3 perseguições e igual número de detenções arbitrárias por agentes da Polícia da República de Moçambique.”
Lembrou ainda que por duas vezes sofreu agressões físicas em público e torturas. “Tudo começou quando fui recebendo recados de forma indirecta, deixei passar, mas depois fui abordado com alguém importante na arena política e deu-me a informação de que haviam ordens de cima para sumirem comigo, porém esta fonte pediu anonimato e disse que o plano já havia sido frustrado ao nível da província. Tempo depois fui recebendo muitos elogios por parte de pessoas desconhecidas porém diziam que mediante a isso queriam fazer parte do meu círculo de amigos e admiradores, quando fiz um rastreio de algumas pessoas percebi que eram agentes da secreta, os famosos homens do sector maior dentro da PRM, e alguns destes tentavam puxar conversas como se estivessem me dar informações, notei que isso era uma tentativa de ganhar minha confiança, fontes minhas revelaram-me que essas pessoas eram enviadas para simplesmente espiar-me”, explicou o activista e defensor dos direitos humanos em Nampula.
Gamito disse que até têm sido usadas mulheres para distrair a sua missão de defender os direitos humanos. “Passaram a usar algumas mulheres na tentativa de seduzir-me, mas este ganhou minha simpatia ou perdeu foco da missão, mas acabou me contando.”
A nossa fonte revelou que os casos de tentativa de morte foram encaminhados as instâncias jurídicas, embora suspeita haver fragilidade para efectivar a verdadeira justiça democrática. “Gamito não é um caso isolado, são várias vozes que já passaram por isso, eis que me referenciei das vozes incómodas, esta é uma estratégia de governos fracos que não conseguem lidar com as críticas, que acham que tudo que fazem de errado não deve ser escrutinado, mas uma certeza podem ter, matar não devia e nem deve ser a solução, pois matam Gamito hoje, a certeza que vos dou é que este Gamito já formou vários Gamitos que só pelo seu desaparecimento injustificado irão insurgir e seguirão o caminho”, alterou (Nelsa Momade)





