
Maputo (IKWELI) – O cenário de HIV/SIDA entre adolescentes e Jovens, dos 15 a 24 anos de idade, em Moçambique continua preocupante, com cerca de 37% de novas infecções nessa faixa etária.
O número foi avançado pelo Ponto Focal do Programa Nacional de HIV/SIDA no Ministério da Saúde (MISAU), Isidoro Nobre, em entrevista ao Ikweli, em Maputo, onde indicou que entre os principais factores que contribuem para o aumento das infecções destacam-se a falta de informação adequada sobre prevenção, o início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros e baixa adesão ao uso do preservativo.
Segundo Nobre, estes factores associam-se aos desafios mais amplos, como a desigualdade do género, pressão de pares e vulnerabilidades socioeconômicas. Outro obstáculo crítico apontado pela fonte é o estigma e a descriminação associados ao HIV, que continuam a afastar adolescentes e jovens dos serviços de saúde.
A fonte observou que essa realidade dificulta tanto a testagem precoce como adesão ao tratamento antirretroviral (TARV) entre os que vivem com o vírus. “Neste momento, o cenário ainda continua preocupante, apesar de várias intervenções que têm sido feitas no setor de saúde, especificamente pelo Programa de Interesse HIV e outras áreas com atividades colaborativas com o Programa de HIV.”
De acordo com o responsável nacional da área de HIV no MISAU, o país tem vindo a implementar diversas estratégias para inverter a tendência, entre elas destacam-se a expansão dos Serviços de Saúde Amigos de Adolescentes Jovens (SAAJ), que oferecem atendimento especial a esta faixa etária dentro das unidades sanitárias.
Por outro lado, o sector da saúde tem reforçado o uso das redes sociais e plataformas digitais para disseminar informação sobre prevenção e estilo de vida saudável para jovens. Outras iniciativas incluem, conforme a fonte, o uso das clínicas móveis em zonas remotas, campanhas de testagem voluntária e distribuição de preservativos e outros insumos como autoteste para HIV, sobretudo ao nível comunitário.
Na entrevista, Isidoro Nobre fez saber de um projeto piloto em curso na província de Nampula que testa a introdução do autoteste também nas unidades sanitárias. “Actualmente, a nível do país, estamos a fazer um projeto piloto na província de Nampula com a introdução do autoteste a nível das unidades sanitárias para além das comunidades.”
Sobre o TARV, a fonte arrola que está disponível no país com uma cobertura de cerca de 98% das unidades sanitárias, mas admite que apesar dessa cobertura persistem barreias como longas distâncias até ao serviço de saúde, falta de confidencialidade e medo do estigma, considerados factores que afetam particularmente os jovens.
Face a isso, explicou que as organizações comunitárias tem desempenhado um papel fundamental na resposta, através de campanhas de sensibilização, testagem, distribuição de insumos de prevenção e acompanhamento de pacientes em risco de abandono de tratamento.
Outra estratégia eficaz, tem sido o aconselhamento entre pares, onde jovens, educam outros jovens, promovendo maior identificação e confiança. “Lembrar que uma das coisas que a gente fez como Ministério de Saúde no programa da HIV é usar o próprio jovem para ser o disseminador da informação para os outros jovens da mesma faixa de idade, que é um aconselhamento em paz.”
Aquele representante do MISAU, destacou o papel central da escola, como fonte primária sobre a sua educação sexual e reprodutiva. “Tendo em conta que todos nós passamos pela escola, e a escola é a casa-mãe para todos os jovens, do princípio é um direito que os jovens têm de estudar. É o local certo para que nós possamos disseminar a informação relacionada ao bem-estar de saúde, a educação sexual e reprodutiva para o jovem.”
O nosso entrevistado apela aos pais e encarregados de educação para a necessidade de criação de um espaço de diálogo aberto com os jovens, tento sublinhado que em algum momento os pais se esquecem que os filhos precisam de um ombro amigo e não apenas de pai.
Aos jovens apelou o reforço da importância de serem informados, proactivos e responsáveis na tomada de decisões relacionadas a suade “um jovem bem informado está mais preparado para se proteger e contribuir para uma geração mais saudável.”
De acordo com o inquérito sobre o Impacto do HIV e SIDA em Moçambique (INSID 2021), a prevalência nacional é de 12,5% entre adultos com 15 ou mais anos. Em 2024, das cerca de 92 mil novas infecções registadas no país, aproximadamente 34 mil ocorreram entre adolescentes e jovens, sendo a maioria em raparigas e mulheres jovens. (Antónia Mazive)





