Escritores de Nampula celebram literatura de Lília Momplê

Nampula (IKWELI) – Os escritores da cidade Nampula reuniram na quinta-feira (16) passada na Universidade Rovuma (UniRovuma), para celebrar a vida e obra da escritora Lília Momplê, uma forma de despertar as novas gerações de escritores a seguirem o legado deixado pela escritora ao longo dos anos.

No evento denominado “O país dentro da palavra, Simpósio Lília Momplê”, debateu-se o histórico literário da autora, tendo sido destacado que a escrita da autora fortalece o envolvimento das mulheres em contextos da literacia para melhor expressar as suas dores constantes e como forma de denunciar abusos da vida quotidiana.

Francisco Gaita, escritor e docente universitário, disse na qualidade de orador do evento que Lília Momplê é uma figura icónica, pois as suas obras são fundamentais para a compreensão da história e da cultura moçambicana. “A literatura da Lília Momplê mexe com os aspectos psíquicos das pessoas, pois é uma escritora que se envolve com problemas da sociedade e ela defende que a literatura não pode ser vista como arma a favor das elites, mas sim reflectir com os problemas sociais. Momplé insta as pessoas a viverem de acordo com os princípios morais de uma determinada comunidade.”

A fonte destacou ainda que a escritora considera heroísmo quando a pessoa ajuda os outros, ou seja, um problema que não deve ser individual, mas colectivo. “O humanismo que ela escreve deve inspirar os jovens, um humanismo de viver em comunidade e não individualmente, respeitando as regras da comunidade. Quando a pessoa não segue as regras está a sair da colectividade e passa a ser um vilão,” frisou Gaita.

De acordo com o orador, a escritora atribui o título de herói àquelas pessoas mais fracas, inocentes e subjugadas que por sua vez não sobrevivem ao sistema brutal. “Os novos jovens escritores devem conseguir se colocar no lugar dos outros, a tamanha injustiça praticada pelos poderosos, guardiões da lei, deve ser sentido e denunciadas,” realçou Gaita, frisando que um escritor não pode servir da sua actividade para adular, mas trazer uma realidade que incomoda.

“O escritor não pode apenas se concentrar em falar de unhas ou cabelos, deve apontar, colocar o dedo na ferida. A literatura deve ser um meio que serve para reflectir os problemas da sociedade, e não ser uma ferramenta ao serviço do opressor,” entende Gaita.

Lília Momplé é uma escritora moçambicana, nascida a 19 de Março de 1935, na Ilha de Moçambique, província de Nampula. Sua vida e obra são profundamente marcadas pela história do país, desde a colonização portuguesa até a luta pela independência e os desafios da pós-independência.

Todavia, a sua primeira obra “Ninguém matou Suhura” publicado em 1988, e outros trabalhos notáveis incluem “Neighbours” (1995) e “Olhos da Cobra Verde” (1997). Momplé recebeu vários prémios e reconhecimento por sua contribuição à literatura moçambicana, incluindo o Prémio Caine para escritores da África (2001) e o prémio José Craveirinha de Literatura (2011). (Francisco Mário)

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