Nampula (IKWELI) – O Arcebispo Metropolitano de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), Dom Inácio Saure, manifestou, na manhã deste domingo (29), a sua preocupação com a proliferação de drogas, sobretudo a conhecida “Makha”, classificando o fenómeno como uma nova guerra silenciosa que ameaça a sociedade moçambicana.
A posição foi tornada pública durante a homilia na missa celebrada na Paróquia Nossa Senhora de Fátima (Sé Cátedra), por ocasião do Domingo de Ramos, data em que os católicos recordam a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, bem como a narrativa da sua Paixão.
Na ocasião, o prelado alertou para o impacto devastador do consumo e tráfico de drogas, sobretudo entre os jovens, sublinhando que a juventude representa o presente e o futuro da Igreja e da sociedade, estando agora sob ameaça crescente.
“Tirar a vida dos outros em nosso proveito é o mais comodo, o mais fácil, é o que assistimos a nossa volta. Na nossa sociedade moçambicana, na província de Nampula, é o trauma que assistimos todos dias, destruir a vida dos outros para o nosso proveito, nesses dias o diabo disfarçado em seres humanos trouxe a Nampula droga chamada Metanfetamina conhecida na gíria local por sal, Makha para dizimar, sobretudo os jovens, para destruir a sociedade moçambicana pela raiz, porque a juventude é o presente radioso da igreja e da sociedade. Quem que nunca ouviu falar desse tal sal e de sal nada tem, quem cometeu esse crime e esse pecado odioso, quem desencadeou a nova guerra silenciosa contra o povo moçambicano?”
Dom Inácio Saure foi ainda mais contundente ao classificar os envolvidos no negócio ilícito de drogas como agentes do mal, denunciando a ambição desmedida por riqueza obtida de forma ilícita e à custa do sofrimento alheio.
O bispo católico considera os envolvidos nessa “bolada” como os ante Cristo. “Digo com firmeza, mesmo a saber que estou a expor-me a grande risco. Sabem o que o diabo espera? É ser aclamado, aplaudir até ser promovido, elevado de graus, é ficar rico, ficar podre de dinheiro sujo e quem de facto está a enriquecer com esse crime sem escrúpulos. Peço vos irmãs, irmãos, caríssimos em Cristo perante os grandes males que enfermam a nossa sociedade não lavemos só as mãos como Pilatos, convido-vos a agir, chegou o tempo de agir, é tempo de ser esperança nesse mundo que não sabe amar”.
Por fim, Dom Inácio Saure apelou à responsabilidade colectiva diante dos desafios que afectam o país, sublinhando que a resposta do cristão não deve ser o ódio, mas sim o perdão, o serviço ao próximo e o compromisso activo na construção de uma sociedade mais justa e solidária. (Malito João)



