Age e líderes comunitários discutem mecanismos de combate em Nampula

Nampula (IKWELI) – O recrudescimento da criminalidade na cidade e província de Nampula estão, cada vez mais, a deixar aflitas as autoridades locais, por isso, o comandante da Polícia da República de Moçambique, Sérgio Age, reuniu-se nesta segunda-feira (19) com líderes comunitários e pessoas influentes para discutir mecanismos de combate ao fenómeno.

Na ocasião, Age destacou a importância do papel das comunidades na prevenção e combate ao crime, sublinhando que os líderes comunitários são peças-chave na vigilância e na manutenção da ordem e segurança públicas.

O comandante alertou ainda para a necessidade de atenção redobrada face à ameaça do terrorismo, defendendo que a vigilância permanente e o trabalho coordenado entre a polícia e a população constituem o único caminho para garantir a segurança.

“Ninguém vai defender o nosso país se não nós mesmos. Por isso, queremos ouvir os líderes comunitários, conhecer os vossos problemas e, juntos, encontrar soluções,” afirmou.

Durante o encontro, vários líderes comunitários apresentaram preocupações relacionadas com a falta de meios, a insegurança e a exposição a ameaças por parte de criminosos, sobretudo após denúncias feitas às autoridades.

Carlos Orta, líder comunitário do primeiro escalão no bairro de Mutauanha, exigiu maior sigilo profissional por parte da PRM. Segundo ele, a ausência de confidencialidade coloca em risco os líderes comunitários que colaboram com a polícia. “Quando denunciamos, muitas vezes não há sigilo. Depois de libertos, os suspeitos regressam e passam a ameaçar-nos,” lamentou.

Orta, acrescentou ainda que, no processo de notificações, os líderes comunitários acabam por ser alvo de perseguições e intimidações. “A polícia diz sempre que não há efectivos, e nós ficamos expostos perante os malfeitores,” frisou.

Por sua vez, Fátima Ferreira, adjunta da secretaria do bairro de Napipine, quarteirão 2, descreveu um cenário preocupante no seu bairro. “Estamos mal. Os malfeitores ameaçam os líderes comunitários. Eu própria tenho sofrido ameaças constantes,” denunciou.

Mariamo Mário, por sua vez, em representação do secretário do bairro de Murrapaniua, que conta com cerca de 61 mil habitantes, afirmou que aquela zona é o epicentro da criminalidade. Segundo ela, a inexistência de um posto policial agrava a situação. “O bairro de Murrapaniua não possui nenhum posto policial, e assim é difícil viver com tranquilidade,” afirmou, apelando ao reforço policial.

Natália Livro, secretária da unidade de Micolene, no posto administrativo de Muatala, também manifestou preocupação com o aumento da criminalidade devido à falta de um posto policial. “Ali na Casa da Cultura há muita criminalidade. Pedimos apoio da polícia para nos ajudar a trabalhar,” disse.

O encontro que juntou na mesma sala comandantes de todas as esquadras da cidade de Nampula e líderes comunitários, foi considerado um momento histórico e um ponto de partida para o reforço da colaboração, diálogo e planificação conjunta no combate à criminalidade nas comunidades. (Malito João)

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