Porque as violações do Código de Postura Municipal da Cidade de Nampula são constantes – e os prevaricadores continuam a ser os mesmos

A persistência das violações ao Código de Postura Municipal da Cidade de Nampula, sobretudo no subsector do transporte semicolectivo de passageiros, o conhecido Chapa 100, revela fragilidades profundas no sistema de fiscalização e regulação urbana. O problema não reside apenas nos infratores recorrentes, mas sobretudo nas falhas institucionais que permitem que estas práticas se tornem rotineiras.

Uma das questões mais preocupantes é a ausência de regras básicas de fiscalização e contratação, associada à presença de fiscais sem a formação técnica adequada. Muitos carecem de conhecimentos sólidos sobre a legislação aplicável, normas administrativas e procedimentos que permitiriam corrigir comportamentos reincidentes de forma eficaz e sustentável.

Outro ponto crítico é a falta de coordenação entre as entidades fiscalizadoras, especialmente no que diz respeito à prática de encurtamento de rotas. A legislação prevê, como sanção máxima, a inibição de condução — uma medida que só pode ser aplicada de forma consequente se houver articulação com o INATRO. No entanto, o que se observa no dia a dia são apreensões rápidas, seguidas de pagamentos imediatos de multas, que se tornam meros mecanismos de receita municipal. Esta prática não desencoraja o infrator; pelo contrário, cria um ciclo de repetição.

Além disso, quando uma viatura é apreendida sem que a carta de condução do motorista responsável também o seja, transmite-se a ideia de que o proprietário é o único culpado, enquanto o condutor fica isento de responsabilidade. Este cenário alimenta a indisciplina: o motorista reincidente, demitido por um proprietário, facilmente encontra outro veículo para continuar a praticar as mesmas infrações, sem enfrentar consequências reais.

Conclusão: Torna-se urgente que o Conselho Municipal da Cidade de Nampula assuma uma postura mais proativa, reforçando o domínio das normas e leis que regem o sector. É imperativo que a fiscalização deixe de ser vista como mera fonte de receita e passe a desempenhar o seu verdadeiro papel: ordenar, disciplinar e garantir segurança e qualidade nos transportes urbanos. Sem reformas profundas nessa abordagem, práticas irregulares continuarão a ganhar espaço, prejudicando a mobilidade, a segurança e a confiança dos cidadãos.

*Por Luís Vasconcelos – Presidente da ASTRA, Associação dos Transportadores Rodoviários de Nampula

Hot this week

Arrancam obras da fábrica que vai produzir mais de trezentas toneladas de farinha de trigo por dia em Nacala

Nacala (IKWELI) - O governador de Nampula, Eduardo Mariamo...

Governador de Nampula convida homens a envolverem-se activamente no planeamento familiar 

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariano...

Riqueza natural e direitos humanos em debate no norte do país

Pemba (IKWELI) – Encontros realizados em Pemba discutem a distribuição...

Novo director da EMUSANA mantem aposta da edilidade em construir um aterro sanitário

Nampula (IKWELI) – Artur Afonso, que dirige a Empresa...

Duas raparigas violadas sexualmente em Carrupeia

Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN),...

Topics

Riqueza natural e direitos humanos em debate no norte do país

Pemba (IKWELI) – Encontros realizados em Pemba discutem a distribuição...

Duas raparigas violadas sexualmente em Carrupeia

Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN),...

Governo reforça controlo e transparência no licenciamento mineiro

Maputo (IKWELI) – O governo moçambicano pretende modernizar os...

Lixo sufoca sepulturas no Mwaco Wanvela

Nampula (IKWELI) – O cemitério comunitário de Mwaco Wanvela,...
spot_img

Related Articles

Popular Categories

spot_imgspot_img