População de Moma é morta a tiros por temer cólera

Moma (IKWELI) – Uma cidadã de 25 anos foi morta, na tarde desta terça-feira (3), após ser atingida na cabeça por uma bala disparada por um dos agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) destacados para conter uma tentativa de destruição da unidade sanitária na localidade de Mucorroge, no distrito de Moma, a sul da província de Nampula.

A vítima foi atingida enquanto estava no quintal, concretamente na cozinha de sua casa, de acordo com uma testemunha ouvida pelo Ikweli. Um vídeo que chegou à nossa redacção mostra a vítima com a parte frontal de sua cabeça severamente destruída. Além disso, o autor do vídeo registou os últimos minutos de vida da mulher, rodeada por familiares.

A deslocação da polícia àquela comunidade ocorreu após solicitação das autoridades locais, alegadamente porque a população pretendia vandalizar a unidade sanitária, acreditando que ela fosse o centro de distribuição do vírus da cólera na comunidade.

Em contato telefônico, o diretor dos Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Ação Social de Moma (SDSMAS), Januário Tembe, não confirmou o óbito, mas afirmou que três pessoas, que sofreram ferimentos graves, deram entrada no centro de saúde da sede.

“Não confirmamos óbitos, apenas houve tumultos. De um lado, alegavam que não havia casos de cólera; do outro, eram manifestantes envolvidos em questões pós-eleitorais. Isso resultou em um conflito entre a população e os agentes da polícia. Três pacientes deram entrada no hospital, sendo um baleado nos membros superiores e outro com lesões. Eles estão sob nossos cuidados”, disse.

O diretor do SDSMAS de Moma afirmou que os manifestantes não chegaram a vandalizar o centro de saúde de Mucoroge. “Nenhum centro de saúde foi vandalizado, pois não temos Centro de Tratamento de Cólera local”.

Januário Tembe observou que o distrito de Moma ainda não registrou sequer um caso confirmado ou suspeito de cólera. A fonte apelou à população para evitar atos de violência.

“Apenas apelamos à calma de todos os manifestantes, para que evitem entrar em conflitos que, geralmente, causam lesões e sobrecarregam nossos serviços. É um trabalho árduo, e precisamos nos distanciar para facilitar o atendimento aos pacientes com doenças crônicas. Isso compromete a capacidade de atendimento àqueles que têm necessidades de saúde contínuas. A entrada de mais pessoas feridas aumenta a demanda pelos nossos serviços”, apelou.

Após Mogovolas, o distrito de Moma é o segundo local da província de Nampula onde, em menos de uma semana, populares, motivados por desinformação sobre a origem da cólera agem com tentativas de vandalizar uma unidade sanitária pública. (Amade Abubacar)

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