Chapo quer corredores logísticos transformados em plataformas de industrialização

Maputo (IKWELI) – O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu, esta quarta-feira (4), em Maputo, a transformação dos corredores logísticos nacionais em plataformas de produção, industrialização, criação de emprego e geração de riqueza, considerando que estas infra-estruturas devem beneficiar não apenas o comércio de trânsito, mas também as economias de Moçambique e dos países da África Austral.

A posição foi manifestada durante a abertura da primeira edição do Fórum de Investimento em Transporte e Logística de Moçambique (TransLog 2026), ocasião em que destacou investimentos superiores a 7,5 mil milhões de dólares nos corredores de Maputo, Beira e Nacala, considerados estratégicos para a integração regional e o reforço da competitividade económica.

Segundo Chapo, a localização geográfica de Moçambique constitui uma vantagem estratégica para posicionar o país como uma importante plataforma de ligação entre o interior do continente africano e os mercados internacionais. Contudo, advertiu que a geografia, por si só, não produz desenvolvimento, sendo necessário traduzi-la em infra-estruturas modernas, instituições eficientes, investimentos produtivos e oportunidades concretas para os cidadãos.

Dos investimentos destacados pelo Chefe do Estado, mais de dois mil milhões de dólares destinam-se ao corredor de Maputo, mais de mil milhões ao da Beira e cerca de 4,5 mil milhões ao de Nacala. Os projetos abrangem a modernização de portos, estradas, linhas férreas, terminais logísticos e outras infra-estruturas estratégicas, visando aumentar a capacidade operacional, reduzir os custos de transporte e facilitar a circulação de mercadorias.

“Não queremos corredores que sejam apenas caminhos de passagem de mercadorias. Queremos corredores que sejam espaços de produção, industrialização, emprego e criação de riqueza para o povo moçambicano e o povo da região da África Austral”, afirmou.

O Presidente sublinhou que o sucesso dos corredores não deve ser avaliado apenas pelo volume de mercadorias movimentadas nos portos ou pela extensão das estradas e linhas férreas construídas, mas sobretudo pela capacidade de gerar riqueza, criar empregos e proporcionar oportunidades às comunidades locais, particularmente às pequenas e médias empresas. Para concretizar essa visão, defendeu a instalação de indústrias, centros logísticos, parques industriais, unidades de transformação agrícola, zonas económicas especiais e empresas de prestação de serviços ao longo dos principais corredores de desenvolvimento.

“Queremos que o agricultor consiga transportar a sua produção até ao mercado sem dificuldades, que a indústria nacional e regional consiga exportar em condições competitivas e que as pequenas e médias empresas encontrem nos nossos corredores novas oportunidades de crescimento”, destacou.

Chapo considerou igualmente necessário reduzir os custos de produção, industrialização e transporte na região, de modo a tornar os produtos africanos mais competitivos nos mercados internacionais. Para o efeito, apelou ao reforço da cooperação entre os países vizinhos, através de uma planificação conjunta das infra-estruturas e da harmonização dos procedimentos fronteiriços.

Sobre a participação do sector privado, apontou as parcerias público-privadas, as concessões e os modelos de construção, operação e transferência (BOT) como mecanismos fundamentais para mobilizar investimentos nacionais e estrangeiros na modernização do sistema de transportes e logística.

Neste contexto, reafirmou o compromisso do Governo de melhorar o ambiente de negócios, reforçar a segurança jurídica e combater o branqueamento de capitais, a corrupção e a burocracia, factores que condicionam a actividade económica.                                                                                                                   O Chefe do Estado chamou igualmente a atenção para a necessidade de modernizar as instituições e digitalizar os serviços públicos, considerando que a construção de portos modernos e a melhoria das estradas e linhas férreas devem ser acompanhadas pela simplificação dos procedimentos administrativos. Na sua perspectiva, a eficiência logística depende também da transparência, integridade e competência dos operadores e das instituições públicas.

No domínio da mobilidade, defendeu o desenvolvimento de sistemas de transporte público mais seguros, acessíveis, regulares e eficientes, capazes de responder às necessidades da população, melhorar as ligações entre as zonas rurais e urbanas e reduzir o tempo e os custos das deslocações. Apelou ainda ao reforço da segurança rodoviária, sublinhando que nenhuma viagem deve terminar numa tragédia que poderia ter sido evitada.

As mudanças climáticas constituem outro desafio que, segundo Chapo, deve ser considerado no planeamento das infra-estruturas, defendendo investimentos em sistemas resilientes, capazes de resistir a ciclones, cheias e outros fenómenos extremos que afectam regularmente Moçambique e a região.                                  No quadro da integração regional, apontou a SADC e a Zona de Comércio Livre Continental Africana como plataformas fundamentais para aprofundar a cooperação económica, através da modernização das fronteiras, integração dos sistemas digitais e eliminação dos constrangimentos à circulação de mercadorias.                                                                                                             Na ocasião, desafiou os participantes do fórum a apresentarem estratégias concretas para transformar os corredores logísticos em espaços de industrialização, produção e criação de emprego.

CTA quer roteiro de investimentos até 2030

Por sua vez, o vice-presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Onório Manuel, afirmou que a localização geográfica do país representa uma vantagem estratégica para o desenvolvimento do comércio regional e internacional. Entretanto, observou que transformar esse potencial em valor económico depende da eficiência dos portos, corredores de transporte, fronteiras e serviços logísticos.

Segundo os dados apresentados pelo responsável, os portos moçambicanos movimentaram cerca de 66,5 milhões de toneladas de carga em 2024. Já em 2025, o Porto de Maputo registou um recorde de 32 milhões de toneladas, reforçando o posicionamento de Moçambique como plataforma logística de referência na região.

Apesar destes resultados, reconheceu que persistem constrangimentos que limitam o aproveitamento pleno dessa capacidade, nomeadamente os tempos de trânsito, a necessidade de reforçar a capacidade ferroviária e os obstáculos nas fronteiras. Estes factores, observou, são determinantes para aumentar a competitividade dos corredores e atrair novos fluxos de comércio e investimento. O representante da CTA defendeu que Moçambique tem condições para consolidar a sua posição como porta de entrada comercial da África Austral. Contudo, advertiu que essa ambição exige mais do que uma localização geográfica favorável e capacidade portuária, sendo igualmente necessárias eficiência operacional, integração regional, previsibilidade regulatória e investimentos para resolver os principais estrangulamentos logísticos. Neste sentido, a CTA defende que a primeira edição do TransLog contribua para a elaboração de um Roteiro de Investimento em Transportes e Logística 2026–2030, que deverá contemplar uma carteira de projectos prioritários, a identificação dos principais constrangimentos, compromissos de integração transfronteiriça, metas de redução dos custos logísticos e mecanismos de acompanhamento dos investimentos e da sua execução.

Onório Manuel considerou que o TransLog MOZ deve traduzir-se em projectos devidamente preparados, compromissos calendarizados e capital efectivamente mobilizado. (Antónia Mazive)

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