Beira (IKWELI) – A província de Sofala aprovou, por unanimidade, o Plano de Contingência para a época chuvosa e ciclónica 2026-2027, durante a I Sessão Provincial do Comité Operativo de Emergência (COE).
O plano, apresentado pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), prevê um orçamento global de cerca de 43 milhões de meticais e identifica aproximadamente 437 mil pessoas em risco, em cenários que incluem seca, ventos fortes, inundações, cheias e ciclones.
Segundo as previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), o fenómeno El Niño deverá prevalecer com intensidade forte entre Outubro de 2026 e Março de 2027, podendo provocar distribuição irregular da precipitação, com défice de chuvas em alguns distritos e ocorrência de eventos extremos noutras zonas.
A sessão destacou a insuficiência das 75 toneladas de bens humanitários actualmente pré-posicionadas, face às necessidades estimadas. O inventário do INGD aponta para cerca de cinco mil membros dos comités locais de gestão de risco, dois mil voluntários da Cruz Vermelha, 250 viaturas, 131 tractores, 239 barcos e 946 canoas, além de outros meios para apoio às operações de prevenção, evacuação e assistência.
Os parceiros humanitários manifestaram preocupação quanto à capacidade de cobertura das necessidades básicas e defenderam o reforço dos stocks, maior transparência na gestão dos bens e o pré-posicionamento atempado dos materiais nos locais críticos.
No sector agrícola, as projecções indicam uma satisfação hídrica de cerca de 65%, o que poderá condicionar a produção. Entre as medidas propostas constam o uso de sementes melhoradas, promoção de culturas tolerantes à seca e desenvolvimento de hortas e sistemas de irrigação.
Na pecuária, as prioridades incluem a garantia de fontes de água, vacinação preventiva e protecção das fêmeas reprodutoras. Na saúde, há risco acrescido de malária, doenças diarreicas e desnutrição, recomendando-se reforço da vigilância.
A Electricidade de Moçambique (EDM) alertou para possíveis efeitos da escassez de água nas centrais hidroeléctricas de Chicamba e Mavuze.
Estão previstos exercícios de simulação em Nhamatanda, Caia e Marromeu no próximo mês, para testar a capacidade de coordenação e resposta. (Aunícia Avelino)

