
Nampula (IKWELI) – O Fundo Nacional de Energia (FUNAE) pretende elaborar um plano de acção para reforçar a articulação entre as instituições envolvidas no abastecimento de combustíveis e melhorar a eficiência do fornecimento na região Norte do país.
A iniciativa visa identificar os constrangimentos que deixam algumas bombas sem combustível e encontrar soluções conjuntas para assegurar a continuidade do abastecimento.
A intenção foi manifestada na manhã desta segunda-feira (26), na cidade de Nampula, pelo presidente do Conselho de Administração (PCA) do FUNAE, Mety Gondola, durante uma reunião regional que juntou gestores de bombas de combustível e delegados da instituição das províncias de Cabo Delgado, Niassa, Zambézia e Nampula.
Na ocasião, Gondola reconheceu a existência de falhas na distribuição e no abastecimento de combustíveis em alguns pontos do país, defendendo uma maior coordenação entre as instituições envolvidas, em vez da atribuição isolada de responsabilidades.
“Queremos a maior eficiência possível. Nas nossas visitas, encontramos frequentemente bombas sem combustível. Quando discutimos a situação, surgem várias explicações. Algumas vezes, dizem-nos que ainda não fizeram a requisição à Petromoc ou que não receberam o produto. Noutras situações, apontam dificuldades de transporte para fazer chegar o combustível e abastecer os tanques”, explicou.
Segundo o dirigente, a Petromoc, por sua vez, tem indicado que dá prioridade às bombas do FUNAE, o que, na sua perspectiva, torna necessário aprofundar o diálogo entre as partes para identificar a origem dos problemas.
“É preciso encontrarmos um espaço para discutir onde está o problema. Estão aqui os colegas da Petromoc e os gestores. Nas nossas visitas, também encontramos situações em que a plataforma não está a funcionar ou em que apenas uma mangueira está operacional. São vários os casos que encontramos nas bombas sem combustível”, acrescentou.
O PCA do FUNAE manifestou igualmente preocupação com a fraca utilização de algumas infra-estruturas instaladas nos distritos, considerando que a falta de procura pode comprometer a sustentabilidade financeira dos empreendimentos e colocar os respectivos gestores em risco de falência.
Como exemplo, apontou o distrito de Mecúfi, em Cabo Delgado, onde, segundo relatou, algumas instituições públicas recorrem a postos de abastecimento em Pemba, em vez de utilizar a bomba local.
“Ficámos preocupados quando nos disseram que até as instituições públicas do distrito abastecem em Pemba. Então, o que estamos a fazer? Se instalámos bombas nos distritos, temos de valorizar esse investimento. Se o distrito não for um agente principal na viabilização da bomba, o gestor não terá receitas. E, se não tiver receitas, como vai comprar combustível? Depois, vamos reclamar que não há combustível”, questionou.
Gondola advertiu que, sem um compromisso das instituições e dos consumidores locais para utilizar as infra-estruturas existentes, algumas bombas poderão encerrar.
Por sua vez, o secretário de Estado da Província de Nampula, Fernando Bemane, considerou que a reflexão sobre o papel das instituições no desenvolvimento deve envolver todos os intervenientes, sobretudo numa altura em que o abastecimento regular de combustíveis enfrenta desafios nacionais e internacionais.
“Este encontro acontece numa altura em que o nosso país e o mundo, no geral, se deparam com problemas relacionados com o abastecimento regular de combustíveis. De facto, a conjuntura internacional impõe novos desafios estruturais”, declarou.
Bemane acrescentou que as prioridades do sector devem ir além do financiamento e da construção de infra-estruturas, abrangendo também a garantia de acesso contínuo, seguro e sustentável à energia e aos combustíveis, desde as zonas rurais até aos postos administrativos e às localidades.
O governante manifestou a expectativa de que a reunião permita identificar os principais constrangimentos do sector e definir medidas concretas para aumentar a eficiência e a viabilidade das operações de abastecimento. (Malito João)






