Moçambique lança roteiro de investimento de mais de 230 milhões para reforçar a resiliência climática do sector da Saúde

Maputo (IKWELI) – O ministro da Saúde, Ussene Hilário Isse, lançou, esta segunda-feira (19) em Maputo, o Roteiro de Investimento Estratégico do Plano Nacional de Adaptação da Saúde às Mudanças Climáticas, avaliado em 235 milhões de dólares norte-americanos, com o objectivo de fortalecer a resiliência do sistema de saúde face aos eventos climáticos extremos.

O roteiro prevê evitar cerca de 30 mil mortes e reduzir o impacto das mudanças climáticas na saúde da população, além de assegurar a continuidade dos serviços de saúde, a resposta rápida a surtos e a confiança pública no sistema.

O instrumento foi lançado durante a abertura da III Conferência sobre o Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde, que decorre na capital do país, e estabelece as linhas de implementação do plano nos próximos cinco anos, definindo responsabilidades para o Governo e os parceiros nacionais e internacionais na mobilização de recursos e execução das intervenções prioritárias.

Na ocasião, Ussene Hilário Isse afirmou que as mudanças climáticas constituem uma das maiores ameaças globais à saúde, devido ao aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como ciclones, cheias, secas, ondas de calor, entre outras, que têm provocado perda de vidas humanas, danos socioeconómicos, isolamento de comunidades, perda de bens e destruição de infraestruturas essenciais.

Segundo o governante, o sector da saúde está entre os mais afectados, uma vez que estes fenómenos contribuem para o aumento de risco de surtos e epidemias causados por doenças infecciosas, com destaque para a cólera, agravamento da desnutrição e doenças crónicas não transmissíveis, incluindo distúrbios mentais e o trauma.

No quadro das acções em curso, o ministro destacou a aprovação em fevereiro deste ano o Plano Nacional de Adaptação do Sector da Saúde às Mudanças Climáticas.

Igualmente foi aprovado o estabelecimento de um observatório de clima e saúde para melhorar a capacidade para antevisão do risco de ocorrência de doenças sensíveis ao clima como malária e diarreias.

O governante apontou igualmente a inclusão da Saúde como uma das componentes importantes da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC3.0) e a introdução de formação pós-graduada em Clima e Saúde, ao nível da Escola de Saúde Pública de Moçambique, como medidas importantes para desenvolver competências técnicas e científicas nacionais.

Na sua intervenção, o ministro sublinhou que a resposta aos efeitos das mudanças climáticas deve estar assente na evidência científica, destacando a elaboração de uma agenda de investigação sobre Clima e Saúde, em 2024, e a realização das conferências científicas nacionais sobre a matéria, iniciadas em 2017 e retomadas em 2023. (Antónia Mazive)

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