
Nampula (IKWELI) – Os antigos combatentes da luta de libertação nacional, na província de Nampula, recordam com emoção o desaparecimento físico do primeiro Presidente de Moçambique independente, Marechal Samora Moisés Machel, por ocasião dos 40 anos do acidente aéreo que vitimou o antigo estadista, a 19 de Outubro de 1986, em Mbuzini, na África do Sul.
Os combatentes descrevem Samora Machel como uma figura marcante da história do país, destacando o seu contributo para a conquista da independência nacional, a promoção da paz e a defesa de princípios como o combate à corrupção e ao nepotismo.
Armando Isa Braga, de 72 anos, antigo combatente da luta de libertação nacional, recordou com tristeza o momento em que tomou conhecimento da queda do avião presidencial. “Eu choro muito por ele. Senti muito quando ouvi a notícia da queda do avião presidencial em que ele estava. Naquele tempo, eu fazia parte das Forças Armadas de Moçambique e aprendi muitas coisas com o falecido Samora Machel”, afirmou.
Braga acrescentou que Samora Machel apelava constantemente aos combatentes para seguirem as ideias e os princípios defendidos por Eduardo Mondlane, fundador da FRELIMO, e uma das principais figuras da luta pela independência de Moçambique.
Aquele antigo combatente recordou ainda o seu percurso durante a luta armada e o trabalho desenvolvido no distrito de Mogincual, onde afirma ter permanecido durante cerca de oito anos, como participante na luta que culminou com a independência nacional, proclamada a 25 de Junho de 1975, pelo Samora Moisés Machel.
Por sua vez, Maurício Bento Chuluma, outro antigo combatente e comandante durante a luta armada de libertação nacional, actualmente na reserva, recordou a experiência de trabalho com Samora Machel durante a luta pela independência.
Segundo Chuluma, o contacto directo com o antigo Presidente permitiu-lhe adquirir conhecimentos e experiências que considera importantes para compreender a história da libertação de Moçambique.
“Tive a honra de trabalhar com o comandante Samora Machel durante a luta armada de libertação nacional, pela independência total de Moçambique. Aprendi muito com ele e muitas missões eram-me atribuídas directamente”, recordou.

O antigo comandante acrescentou que seriam necessárias muitas horas para descrever o percurso histórico de Samora Machel, desde o período da luta armada até a proclamação da independência, em 1975, no entanto, apelo a juventude para preservar a história
Maurício Bento Chuluma lança outro apelou à nova geração que é de valorizar os testemunhos dos antigos combatentes, que considera importantes fontes vivas da história nacional.
Para Chuluma, é necessário reforçar o interesse dos jovens em conhecer o percurso histórico do país e em ouvir as experiências daqueles que participaram directamente na luta de libertação.
“É preciso que haja vontade da nossa geração actual. Naquilo que estou a observar, parece haver pouco interesse em recolher a herança que trazemos. As bibliotecas vivas estão a enfrentar muitas dificuldades na divulgação dos seus conhecimentos, sobretudo pela falta de aproximação da juventude”, afirmou.
O antigo combatente alertou ainda que a idade avançada dos protagonistas da luta de libertação torna urgente a transmissão dos seus testemunhos às novas gerações, de modo a evitar que experiências e conhecimentos importantes se percam com o tempo. (Hermínio Raja)






