Mumbai (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, anunciou, nesta quarta-feira (30) na cidade indiana de Mumbai, que a província que dirige tem como ambição não só em tornar-se em ponto de atracção de investimento, como também de processamento local, ou seja, de efectivação da indústria extractiva.
Em Mumbai, Abdula participa da GLOBOIL Índia, evento organizado pela Aliança Agrícola Ásia-África.
“Eu venho da província de Nampula, no norte de Moçambique, uma província com mais de seis milhões de habitantes e uma forte base agrícola e comercial. Hoje, estou aqui para apresentar não só o que Nampula produz, mas também aquilo em que Nampula se pode tornar: uma plataforma regional para a transformação agrícola, o processamento, o comércio e o investimento,” começou por dizer Abdula na sua intervenção e um dos principais painéis do evento, prosseguindo que “Nampula tem mais de dois milhões de hectares de terra arável e uma forte base de produção de amendoins, algodão e gergelim. Ao mesmo tempo, a soja e o girassol estão a emergir como culturas estratégicas. Estas culturas são particularmente relevantes para a nossa ambição de desenvolver cadeias de valor agrícolas competitivas e estabelecer Nampula como um centro de produção e processamento de óleo alimentar.”
Hoje, Nampula importa mais de 90 por cento do óleo alimentar que consumimos, situação que não agrada ao governador, por isso anunciou que “queremos mudar isto. A nossa ambição não é simplesmente produzir e exportar mercadorias. A nossa ambição é atrair investimento que nos permita processar mais localmente, criar valor localmente e posicionar Nampula como um centro agroindustrial competitivo para o Norte de Moçambique.”
Todavia, Abdula deu as razões para que investidores e financiadores apostem na província, precisamente pela sua “localização estratégica, infraestruturas e conectividade,” pois “Nampula está estrategicamente posicionada no centro do Corredor de Nacala, com acesso a autoestradas, caminhos-de-ferro, ao Porto de Nacala e aeroportos internacionais. Estes recursos ligam a província a importantes áreas de produção – incluindo Niassa, Cabo Delgado e Zambézia – bem como aos mercados nacionais, regionais e internacionais. O Porto de Nacala oferece uma porta de entrada direta para o comércio internacional. A conectividade aérea através da Ethiopian Airlines, Air Mozambique, Kenya Airways e Airlink facilita a deslocação de investidores e equipas técnicas.”
Igualmente, Nampula dispõe de “base agrícola e comercial,” traduzindo no facto de Nampula possuir “condições agroecológicas favoráveis, terras abundantes e um sector produtivo consolidado. Dispomos de agricultores comerciais e familiares, associações e cooperativas de produtores, revendedores de produtos agrícolas, serviços de extensão rural, comerciantes e agregadores. Isto proporciona uma base para a agricultura por contrato, mercados estruturados, agregação, processamento e parcerias de longo prazo.”
“O nosso compromisso com a parceria com o sector privado. O Governo Provincial considera o sector privado um parceiro fundamental. O nosso papel é facilitar o investimento, coordenar instituições, resolver entraves e criar condições para o crescimento do negócio,” recordou Eduardo Abdula, recordando que “a nossa relação com a Índia não é recente. Nampula possui longas relações comerciais e interpessoais com a Índia. Queremos levar esta relação para um novo patamar: do comércio ao investimento, das commodities ao processamento, das relações comerciais às parcerias de longo prazo.”
“Temos também a honra de acolher o Consulado da Índia em Nampula, um reflexo dos nossos fortes laços e uma importante ponte institucional para as empresas indianas.”
O governador, também, convidou investidores e empresários indianos a participarem na próxima edição da Feira Económica de Nampula (FENA).
“Entendemos que o investimento necessita de plataformas onde as empresas se possam encontrar. É aqui que a FENA – Feira Económica de Nampula – se torna importante. A FENA reúne empresas, produtores, investidores e instituições financeiras,” disse, referindo que “com base na cooperação que estamos a desenvolver com a Associação de Extratores de Solventes da Índia e a Solidaridad, vemos uma oportunidade para impulsionar ainda mais a agenda de oleaginosas de Nampula na FENA 2027, criando uma plataforma para diálogo, troca de conhecimentos e identificação de oportunidades práticas para o investimento e desenvolvimento da cadeia de valor,” por isso “gostaríamos de ver a SEA e a Solidaridad a liderar uma discussão dedicada sobre o futuro das cadeias de valor das oleaginosas e dos óleos vegetais, reunindo agricultores, comerciantes de commodities, processadores, investidores, instituições financeiras, fornecedores de tecnologia e instituições públicas,” assegurando que “esta discussão pode ajudar a explorar oportunidades e desafios relacionados com a produção sustentável, agregação, processamento, tecnologia, desenvolvimento de mercado e investimento, e identificar áreas práticas para colaboração futura.”
Abdula concluiu referindo que está acção que desenvolveu na Índia é em cumprimento das orientações do Presidente da República, Daniel Chapo, que apela ao trabalho mericrático para trazer soluções aos problemas que apoquentam a população. (Aunício da Silva, em Mumbai)

