Nampula (IKWELI) – Depois de quase um ano marcado por denúncias de falta de alimentos e produtos de higiene, idosos acolhidos no Centro de Apoio à Velhice da cidade de Nampula dizem que a situação alimentar melhorou e que actualmente já recebem três refeições por dia.
Durante o ano passado, até Janeiro do corrente ano, o Ikweli reportou denúncias de idosos acolhidos no centro que afirmavam passar fome devido à alegada falta de abastecimento regular de alimentos e kits de higiene.
Na altura, alguns residentes disseram chegar a passar dois ou mais dias sem comer, sendo obrigados a procurar ajuda junto de moradores das zonas circunvizinhas, igrejas, associações e outras pessoas de boa-fé.
Actualmente, porém, os relatos dos idosos são diferentes. Durante uma visita da nossa reportagem ao centro, alguns residentes mostraram-se satisfeitos com a melhoria das condições alimentares e disseram que já conseguem fazer as principais refeições diariamente.
“Agora estamos a comer”, disse a idosa Deolinda Momade, de aproximadamente 60 anos, natural do posto administrativo de Namina, distrito de Mecubúri, que vive há bastante tempo no centro.
“Agora agradecemos ao Governo por se lembrar de que nós existimos, porque os nossos familiares vivem longe e outros não nos querem. Por isso estamos aqui no centro.”
Artur Muruha, de 65 anos, natural do distrito de Mogovolas, concretamente do posto administrativo de Nanhupo-Rio, também afirmou que a situação melhorou. “Aqui já estamos bem. Já não temos problemas de falta de comida. Já temos mata-bicho, almoço e jantar. Isso agradeço muito.”
Segundo Muruha, além da alimentação, também foram melhoradas algumas condições de acomodação.
O director do Centro de Apoio à Velhice, Otílio João, confirmou que a instituição enfrentou dificuldades no abastecimento alimentar, mas afirmou que a situação foi, entretanto, ultrapassada.
Segundo o responsável, o INAS [Instituto Nacional de Acção Social], em coordenação com parceiros de cooperação, abasteceu o centro com produtos alimentares e kits de higiene.
Entre os produtos recebidos estão farinha, arroz, óleo de cozinha, açúcar, massa esparguete, massa de tomate e diferentes variedades de feijão. O abastecimento inclui igualmente produtos de higiene e limpeza, como sabão e detergentes.
João disse que o stock existente poderá garantir o funcionamento alimentar do centro até Dezembro deste ano.
“O INAS estava desde o mês de Fevereiro sem abastecer e só começou a fazê-lo no mês de Março. Demorou um pouco devido à requisição, mas o fornecedor já estava a par da mesma.” (Virgínia Emília)

