
Ilha de Moçambique (IKWELI) – Os processos burocráticos, a morosidade no licenciamento e o aumento dos custos de transporte estão a dificultar a entrada de investidores e a reduzir o fluxo de turistas na Ilha de Moçambique, na província de Nampula.
A preocupação é apresentada pela Associação de Hotelaria e Turismo da Ilha de Moçambique, que denuncia constrangimentos operacionais e administrativos que, segundo a agremiação, limitam o aproveitamento do potencial turístico da região.
Segundo a presidente da associação, Ámina Cassimo, a demora nos processos administrativos e de licenciamento continua a constituir um dos principais obstáculos à dinamização dos investimentos e ao crescimento do sector.
“Em relação ao turismo na Ilha de Moçambique, neste momento estamos a enfrentar fraco movimento de turistas devido ao aumento do preço dos autocarros e dos voos ao nível nacional. Para os estrangeiros, não há acessibilidade dos vistos. É uma situação bastante complicada, numa altura em que Moçambique concorre no turismo com o país vizinho, a Tanzânia, que também tem uma ilha.”
A dirigente considera que a actuação dos agentes de Migração e da Polícia nas fronteiras terrestres e nos aeroportos pode igualmente influenciar a experiência dos visitantes e, consequentemente, a imagem do destino turístico.
Para Ámina Cassimo, é necessário adoptar uma abordagem mais acolhedora e simplificar os procedimentos de entrada no país. “Os agentes da Migração nas fronteiras terrestres e aeroportos são o primeiro contacto do turista com o país. É necessária uma abordagem acolhedora que incentive o turismo, enquanto o excesso de burocracia gera desconforto,” recordou a fonte.
Falando em nome dos operadores turísticos locais, a fonte defendeu uma maior articulação entre o Governo e o sector privado, com vista à criação de condições que facilitem a entrada de turistas e investidores, apontando que a desburocratização dos processos e a facilitação dos procedimentos pelas instituições responsáveis pela tutela e fiscalização do sector são fundamentais para melhorar a competitividade da Ilha de Moçambique, enquanto destino turístico.
“Deve haver uma política mais abrangente, onde o Governo e o sector privado devem unir-se e abrir as portas para a afluência do turismo. Investir no turismo é garantir a promoção da cultura local e o desenvolvimento económico.”
Por seu turno, a directora provincial da Cultura e Turismo em Nampula, Jamila Bica, afirmou que o Governo está a implementar reformas para responder aos constrangimentos enfrentados pelo sector.
Segundo a dirigente, estão em curso reformas estruturais através da Agência Nacional para o Desenvolvimento e Investimento Turístico, incluindo a digitalização de processos e a introdução dos e-Visas, como parte das medidas destinadas a reduzir a burocracia e facilitar a entrada de visitantes.
A responsável avançou que estas reformas poderão contribuir para potenciar o turismo na Ilha de Moçambique, destino reconhecido pelo seu património histórico e cultural, e criar melhores condições para a atracção de turistas e investimentos. (Nelsa Momade)





