Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Maputo (HCM) passou a realizar, pela primeira vez em Moçambique, a Colangiografia Pancreática Retrógrada Endoscópica (CPRE), uma técnica que permite diagnosticar e tratar doenças das vias biliares sem necessidade de recorrer a cirurgias mais invasivas.
A técnica é realizada por médicos gastroenterologistas, através da combinação de endoscopia e raio-X, permitindo tratar problemas relacionados com os canais que ligam o fígado, a vesícula biliar e o pâncreas. O procedimento possibilita ainda a realização de biópsias, drenagem de infecções, colocação de próteses (stents) e remoção de pedras.
Segundo a directora do Serviço de Gastroenterologia do HCM, Liana Mondlane, a introdução da CPRE representa um avanço para a medicina moçambicana, uma vez que os doentes que antes precisavam de tratamento no estrangeiro passam a poder ser atendidos no país.
“Iniciar com esta técnica no país é para nós um grande avanço, pois estaremos aptos para o atendimento aos pacientes que aparecem com sintomas como presença de olhos amarelos por conta da permanência da bílis no sangue e nos canais pelos quais eles deveriam ser drenados para o intestino. Estamos a dizer que, podemos tratar a obstrução das vias biliares por via endoscópica. Temos tido pacientes que necessitam deste procedimento e, antigamente mandávamos para o exterior, agora, estes pacientes vão beneficiar deste tratamento a nível nacional”, disse.
A especialista disse ainda que entre os pacientes que podem beneficiar do procedimento estão aqueles que apresentam dor abdominal intensa, urina escura, pele e olhos amarelos, fezes claras, comichão na pele, náuseas e vómitos frequentes, sintomas que podem estar associados a doenças das vias biliares.
A introdução da técnica ocorreu no âmbito do III Workshop de Endoscopia Digestiva Avançada, realizado recentemente no Serviço de Gastroenterologia do HCM, com o objectivo de capacitar médicos em técnicas de colocação de stents esofágicos e discutir casos clínicos.
A formação reuniu especialistas nacionais e internacionais, entre eles o professor doutor Eduardo Pinto, de nacionalidade portuguesa, e o professor doutor Mark Topazian, de nacionalidade norte-americana e durante os quatro dias de actividades, dezasseis pacientes com cancro do esófago beneficiaram da colocação paliativa de próteses esofágicas. (Malito João)

