
Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN), maior unidade sanitária do norte do país, diz-se preocupado com o número de casos de roptura uterina que se registam na maternidade local, tendo a maioria das vítimas mulheres que nunca foram submetidas a uma cirurgia de parto à cesarina.
Nesta segunda-feira (21), os médicos do HCN foram recebidos pelo governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, pois, preocupados com a situação, foram apresentar ao governante o que chamam de catástrofe obstétrica.
O Doutor Denis Viegas, director do departamento de Genecologia no HCN, disse, na ocasião, que no ano em curso, aquela unidade sanitária registou o total de 103 casos de roptura uterina, que resultaram em 49 óbitos, 6 dos quais no bloco operatório.
“A maioria que sofre a roptura nunca teve uma intervenção cirúrgica,” anotou a fonte, explicando, ainda, que “maior delas vem dos distritos de Nampula, Mecubúri, Murrupula e Mogovolas,” os quais não dispõem de salas de operações.
Das mulheres que sofreram roptura uterina, segundo o Dr. Viegas, “94% perderam o útero” e “as com útero preservado voltaram duas semanas depois com infecção, o que obriga a remoção [do útero],” como também, “97% [das vítimas], os bebés perderam a vida, por isso chamamos isso catástrofe obstétrica.”
Outra preocupação do HCN tem a ver com aumento crescente de partos. Só no primeiro semestre, aquele hospital registou 60 mil partos, dos perto de 140 mil partos registados em toda a província de Nampula.
Na periferia, os centros de saúde 25 de Setembro e Muhala Expansão estão numa situação de esgotamento, pois chegam a ter mais de 50 partos ao dia, o que concorre para que duas a três parturientes estejam na mesma cama em serviço de parto. (Aunício da Silva)






