
Nampula (IKWELI) – O reitor da Universidade Católico de Moçambique (UCM), Filipe Sungo, exortou, na sexta-feira (18), na cidade de Nampula, 690 (seiscentos e noventa) recéns-graduados nos níveis licenciatura, mestrado e doutoramento de diferentes áreas do saber, a usarem o conhecimento adquirido ao longo da formação em benefício do país.
Durante o seu discurso, Sungo afirmou que a formação não pode servir apenas para aumentar o currículo, mas sim, para que a sociedade tenha comunicadores que informem com veracidade, escolas com quadros qualificados e sobretudo, para que o cidadão mais desfavorecido tenha alguém que o represente e o julgue com imparcialidade.
Para a materialização desses objetivos, de acordo com o reitor, exige-se um perfil profissional diferente daquele que bastava há 20 (vinte) anos, pois é preciso em primeiro lugar, uma base científica sólida porque nenhuma tecnologia substitui o domínio dos fundamentos, e em segundo lugar, exige a capacidade de aprender ao longo da vida porque o conhecimento é renovado ao longo da caminhada.
“Exige ainda um domínio da língua oral e escrita porque, nas vossas profissões, a palavra não é apenas acessório, é um instrumento de trabalho, dominem a literacia digital e capacidade crítica no uso das novas ferramentas tecnológicas, competências de comunicação, conhecimento real do território, das comunidades e das línguas em que essas comunidades pensam e vivem,” exortou o reitor.
“A passagem pela essa universidade não foi apenas um tempo de aprendizagem e convivência, foi também um tempo de sacrifico vosso e das vossas famílias. Num mundo marcado pela interdependência, incerteza e pela precariedade, a formação adquirida na universidade não será suficiente, aquilo que vai manter relevante no vosso percurso não é o que sabem neste momento, mas a vossa capacidade de continuar a aprender, questionar investigar e sem abdicar do rigor,” apontou o académico.
Sungo advertiu, igualmente, para que os recéns-graduados pautem pela ética na vida, porque “o conhecimento adquirido hoje não foi produzido apenas por vós e nem apenas para vós, beneficiaram do esforço das vossas famílias, do trabalho dos vossos docentes, entre outros parceiros. O grau académico não sirva apenas para o bem-estar pessoal, mas é um mandato para servir dai que “procurem que as vossos os conhecimentos se traduzam para o benefício das vossas comunidades e para o nosso país. Levem o vosso conhecimento rumo ao Moçambique, não sejam apenas testemunho do tempo que vivem,” disse.
O reitor sublinhou que Nampula tem uma população jovem e com uma pluralidade linguística que constitui ao mesmo tempo, uma riqueza e uma exigência pedagógica, sendo um espaço crucial na zona Norte, daí que uma província sem comunicadores comprometidos, professores qualificados, arrisca-se a não converter o seu potencial humano em desenvolvimento real.
A fonte anotou que há quase uma década que a violência armada em Cabo-Delgado ceifa vida, destrói comunidades e obrigada milhares de famílias a abandoarem suas terras, muitas das quais encontraram acolhimento precisamente na província de Nampula “não podemos permitir que está violência se transforme numa paisagem habitual da nossa consciência, não podemos normalizar o terrorismo, da vida perdida, cada família deslocada, cada comunidade destruída, representa uma ferida aberta do corpo da nossa nação,” rebateu.
Em representação aos graduados, Felizarda Mussupaia, prometeu honrar com um compromisso que assumiram depois de muito tempo de sacrifício “hoje estamos aqui, não carregamos apenas um diploma na mão, mas carregamos noites de estudos, trabalhos intermináveis, duvidas cansaço, sacrifício e sobretudo, determinação de nunca desistir,” afirmou. (Francisco Mário)






