
Nampula (IKWELI) – O mercado 25 de junho, popularmente conhecido por mercado do Matadouro, na cidade de Nampula, enfrenta escassez de peixe seco, situação que, para além de concorrer para a subida dos preços dos produtos, também afugenta os vendedores.
Os comerciantes dizem estar a enfrentar uma quebra acentuada nas vendas devido ao elevado custo da mercadoria e a redução da quantidade de peixe disponível para revenda, situação que tem afastado clientes e reduzido significativamente os lucros, dificultando a aquisição de alimentos e o pagamento das despesas familiares.
Dados facultados pelo chefe daquele mercado indicam que, até fevereiro deste ano, o local contava com cerca de 30 vendedores de peixe seco e salgado, mas actualmente, apenas 10 permanecem no negócio, enquanto os restantes 20 abandonaram a actividade.
Entre os produtos afectados pela escassez e subida de preços estão papahi, Nicussi, peixe-barba, também conhecido como mukhopo, peixe salgado, camarão seco, peixe chicoa e sardinha seca, entre outras espécies.
Ouvidos pela nossa reportagem, na sexta-feira (18), alguns vendedores afirmaram que a subida de preços começou a fazer-se sentir com maior intensidade no final do ano passado e continua a agravar as suas condições financeiras, tendo alguns antigos vendedores recorrido a outras actividades para garantir a sobrevivência, incluindo táxi-mota, venda de carvão vegetal, trabalho doméstico e carregamento de mercadorias no mercado grossista do Waresta.
Os comerciantes apontam, entre as principais causas da subida dos preços, o aumento do custo dos combustíveis, que, segundo eles, encarece a actividade dos pescadores artesanais e o transporte da mercadoria.
A nossa reportagem constatou que um saco de 90 quilogramas de papahi, que anteriormente custava entre 15.000,00Mt (quinze mil meticais) e 18.000,00Mt (dezoito mil meticais), chega actualmente aos 23.000,00Mt (vinte e três mil meticais).
No caso do peixe seco salgado, 10 quilogramas custam actualmente cerca de 1.250,00Mt (mil e duzentos e cinquenta meticais), contra os anteriores 1.000,00Mt (mil meticais). A mesma mercadoria, em quantidade de 20 quilogramas, chega a custar 2.500,00Mt (dois mil meticais).
Apesar da subida dos preços no local onde compram a mercadoria, os vendedores dizem-se obrigados a reduzir as quantidades adquiridas e a vender em pequenas porções, procurando manter os produtos acessíveis aos consumidores de baixa renda.
O nicussi, por exemplo, é vendido em pequenas quantidades, com preços que variam entre 10,00Mt (dez meticais) e 20,00Mt (vinte meticais). Já o camarão seco, peixe-barba, chicoa e outras espécies são vendidos em porções de 50,00Mt (cinquenta meticais), 100,00Mt (cem meticais) e 250,00Mt (duzentos e cinquenta meticais).
“Agora não está fácil vender peixe seco”, disse Ali Abdala, vendedor de nicussi no mercado 25 de Junho, que apontou a falta de clientes e o elevado preço da mercadoria como estando a tornar o negócio cada vez mais difícil.
“Agora eles não aceitam a quantidade que nós disponibilizamos, dizem que é pouco, mas isso acontece porque lá onde levantamos está caro e não há esses peixes”, acrescentou.
Segundo Abdala, anteriormente conseguia adquirir 20 quilogramas de nicussi por cerca de 1.800,00Mt, mas actualmente a mesma quantidade custa aproximadamente 2.500,00Mt.
Por isso, explica que reduziu a quantidade adquirida para cinco ou seis quilogramas, investindo cerca de 1.500,00Mt e revendendo o produto em pequenas porções “só ganho 50,00Mt como lucro, dependendo do dia.”
Fernando Mussa, que vende peixe seco naquele mercado há cerca de 40 anos, também manifesta preocupação com o aumento dos custos. Mussa anotou que actualmente chega a vender três peixes por 50,00Mt cada e cinco por 100,00Mt, numa tentativa de conseguir alguma margem de lucro. “Este negócio já não ajuda nada, só que não podemos sentar em casa sem fazer nada. Nos tempos passados era muito normal. A gente comprava 10 cordas, que eram 20 peixes, a 160,00Mt (cento e sessenta meticais), mas isso começou desde o ano passado”, afirmou.
O vendedor acrescenta que vários colegas abandonaram o negócio por não conseguirem obter rendimentos suficientes. (Virgínia Emília)






