Falsos curandeiros colocam em risco saúde da população em Nampula

A Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO) em Nampula, mostra-se preocupada com a existência de falsos curandeiros, factor que coloca em risco a vida das pessoas que acedem aos seus serviços.

A informação foi tornada pública nesta segunda-feira (31) de Agosto por ocasião do dia da Medicina Tradicional Africana que assinala-se anualmente nesta data.

” o nosso maior desafio é a existência de pessoas que se fazem de médicos tradicionais para lucrar, este é um problema antigo que abre espaço de debate e em busca de soluções, quando o médico tradicional não consegue o tratamento de um certo problema deve encaminhar a uma unidade sanitária e não ainda continuar a cobrar valores monetários aos pacientes,” disse o responsável.

Nacimo ainda esclareceu que o estatuto da medicina tradicional vela pelo respeito e preserva valores, “o médico tradicional foi sempre uma figura importante nas comunidades , mas nos últimos tempos a situação tende a mudar devido a má conduta de alguns,  actualmente há médicos que fazem publicidade de tratamento via telefónica e isso não é recomendável,” disse reiterando que, “A organização trabalha em coordenação com a PRM , SERNIC e tem intensificado o combate a denúncia contra falsos curandeiros, também muitas vezes estrangeiros em situação ilegal que utilizam publicidade enganosa, prometem curas milagrosas e extorquem dinheiro da população.”

Por outro lado, Isabel Muianga, representante da administradora do distrito de Nampula, afirma que a medicina tradicional fortalece o sistema de saúde ao ampliar o acesso aos cuidados básicos, aliviar a sobrecarga dos hospitais convencionais e oferecer abordagens holísticas

” a medicina tradicional é para muitos, é o primeiro contacto e principal fonte de tratamento para grande parte da população  em locais distantes dos centros urbanos. A Medicina tradicional é um património cultural e social para o povo moçambicano.”

Com mais de 20 anos a praticar a actividade, Ámina Virauene, pede o fim das bvurlas, ” há 27 anos tenho vindo a praticar o serviço de medicina tradicional e tem sido maior fonte de rendimento da minha família, porém, nos últimos tempos esta prática tem sido sabotada por jovens que se vestem de curandeiros para no final lograrem seus interesses, pedimos socorro a é de quem de direito.”

Cândida Fernando, também médica tradicional, mostra-se preocupada e exige um enquadramento jurídico claro para legitimar a profissão e combater a desvalorização.

De acordo com a AMETRAMO em Nampula, a província conta com pelo menos dois mil e cinquenta e três (2053) médicos tradicionais inscritos, dos quais mil e vinte (1020) são mulheres. (Nelsa Momade)

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