Dom Inácio Saure apela à auto-sustentabilidade da Igreja nos 70 anos da Sê Catedral de Nampula

Nampula (IKWELI) – O arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, defendeu maior auto-sustentabilidade económica da Igreja Católica em Moçambique, com destaque para a Arquidiocese de Nampula.

O prelado falava durante a homilia por ocasião das celebrações dos 70 anos da Catedral de Nampula celebrado a 23 do mês corrente, onde abordou também a necessidade de os cristãos compreenderem melhor o sentido dos sacramentos.

Segundo Dom Inácio Saure, estes foram alguns dos temas discutidos nos grupos de oração, com destaque para a auto-sustentabilidade económica da Igreja e o sentido cristão dos sacramentos. O Arcebispo comparou a realidade da Igreja em Nampula com a de igrejas mais antigas da Europa e América.

″O tema de auto sustentabilidade económica e o tema da necessidade da compressão do sentido cristão do sacramento foi este tema que estivemos a ver no encontro dos diferentes grupos de oração, falamos desses temas, auto sustentabilidade económica da nossa diocese, da nossa igreja e sentido cristão dos sacramentos, comparativamente a igreja da Europa e da América, onde vamos encontrar igreja que já tem 500 anos aqui seria uma igreja bebé, mas compativamente ao crescimento da pessoa humana a nossa igreja é adulta 70 anos, nessa idade uma pessoa humana continua ainda a ser alimentada com mama com leite é isso?″, questionou o prelado, acrescentando que ″se alimentado assim é pelos netos ou bisnetos, quer dizer cresceu, foi adulto, ele mesmo assumiu – se e talvez agora esta declinar.″

O Arcebispo manifestou igualmente preocupação com a forma como alguns cristãos, sobretudo jovens, se apresentam, defendendo maior respeito pelo corpo humano. ″O vosso corpo é templo do espírito santo, a não dignificarmos nada o templo do espirito santo. Muitas vezes há banalização dos tempos do espírito santo com toda leviandade, abuso de estupefacientes, mercadorias de prazer, os nossos corpos são feitos mercadoria de prazer, lugares de habitação de Deus. ″

Dom Inácio Saure abordou ainda a questão do uso da Igreja para fins comerciais, recordando que a mensagem de Jesus continua actual. ″Não faça da igreja lugar de negócio, essa mensagem de Jesus é de actualidade até ao nosso dia, não estamos a falar o facto de vender objectos religiosos assim não é isso, não é isso que jesus está dizer propriamente. O nosso querido irmão Dom Osório pouco antes do seu bárbaro e cobarde assassinato denunciou energicamente aqueles que faziam da igreja lugar de negócios, infelizmente teve aquele filtrágico que nos deixa indignados até hoje, mas o que disse nunca deixará de ser verdade.″

Ao falar dos 70 anos da Catedral de Nampula, o Arcebispo defendeu que a maturidade da Igreja deve também ser demonstrada pela sua capacidade de garantir os próprios meios para funcionar. Para Dom Inácio, a celebração deve servir igualmente para renovar o compromisso dos cristãos com o futuro da Igreja.

″Para que, rime com a nossa dignidade e maturidade, não estou a fazer poesia, autossustentabilidade maturidade os poetas podem estar a gostar isso tudo deve rimar em nós, não ser 70 e não vivermos como crianças dependente de todos, completamente irresponsável da nossa vida do nosso futuro. O decreto conselho ecuménico vaticano segundo sobre a actividade missionária da igreja no mundo diz que o que estou a citar (uma comunidade cristã deve ser constituída desde começo de tal maneira que possa na medida do possível prover por si mesma as suas necessidades) quer dizer que esta diocese esta catedral quando foi dedicada em 1956 estava se a dizer deves crescer e deves ser capaz de prover por si mesma as tuas necessidades para funcionar como igreja.” Por fim, Dom Inácio Saure reconheceu que existem benfeitores locais que apoiam a Igreja, mas defendeu que este apoio deve ser ampliado, tanto dentro de Moçambique como entre os moçambicanos que vivem na diáspora.

″Embora não seja tudo por nossa culpa esta nossa miséria a miséria da nossa arquidiocese é muito humilhante a situação em que nos encontramos, chegou a hora de dizermos basta a total dependência de bem feitores de fora de Moçambique. A igreja Moçambicana de Nampula em particular precisa de crescer e de manifestar com evidências os sinais do seu crescimento tanto na qualidade de vida cristã dos seus membros, quer dizer ser católicos cristãos e católicos autênticos comprometidos a vida e a missão da igreja, comprometidos a justiça e a paz, mas igualmente em matéria de autonomia financeira. (Malito João)

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