
Nampula (IKWELI) – Artistas da cidade de Nampula prometem continuar com os ensinamentos do ícone Justino Cardoso, artista gráfico e escritor, que perdeu a vida nesta segunda-feira (17) no Hospital Central de Nampula, vítima de doença.
Em entrevista ao Ikweli, os artistas afirmaram que Justino Cardoso não foi apenas um artista gráfico e escritor, foi um homem profundamente comprometido com a preservação da história, da identidade e das memórias, pois ao longo da sua vida, dedicou o seu talento a valorização da cultura do povo de Moçambique, particularmente a cultura macua e maconde.
“O mestre Justino Cardoso compreendia que a cultura não é apenas aquilo que herdamos do passado. É também aquilo que temos a responsabilidade de preservar e transmitir as gerações vindouras. Foi essa consciência que fez da sua caminhada uma referência,” entende o escritor Nélio da Costa.
O nosso entrevistado afirmou que a sua obra deu rosto a histórias de Moçambique, pessoas, costumes e acontecimentos do seu tempo através da sua arte, contribuiu para que a história permanecesse viva, por isso, a sua morte não representa apenas a partida de um artista.
“É a partida de um homem que compreendeu que pintar, desenhar, escrever, e criar são também formas de servir o povo, como artistas temos a responsabilidade de continuar a criar, preservar e valorizar a cultura moçambicana com a mesma consciência de que a arte é memória, identidade e património,” sublinhou da Costa.
A fonte deixou um apelo as autoridades e as instituições culturais para que a obra e o legado de Justino Cardoso sejam preservados, estudados e apresentados as novas gerações, para que o seu nome continue a ocupar o lugar que merece na história da cultura moçambicana.
Michael Nivorocha, escritor e presidente dos escritores de Nampula (GEN) afirmou que a classe artística e a população em geral perderam uma grande pessoa.
“É um vazio grande, mas o seu legado permanecerá em todos nós, e em particular aquele que cruzou a sua arte, sua simplicidade e forma inigualável de ser. Devemos honrar a memória do mestre Justino Cardoso para que sua contribuição não seja em vão,” realçou Nivorocha.
Já o músico e secretário executivo da Associação dos Músicos de Nampula (AMUNA), Sebastião Damas, advoga que há uma necessidade de honrar a pessoa que dá contribuição para a sociedade ainda em vida, porque está se tornar moda falar bem quando um artista de destaque morre, portanto há necessidade de reverter está situação.
Todavia, “temos que ter a cultura de enaltecer os artistas, por exemplo porque não se dar uma das ruas o nome de Justino Cardos porque foi uma grande figura. Devemos começar a pensar localmente, valorizar aquilo que é o nosso valor cultural,” rebateu Damas. (Francisco Mário)




