Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, reconheceu, nesta quarta-feira (5), em reunião de emergência com as gasolineiras/estações de abastecimento de combustíveis que operam na província, que a situação de venda informal e ilegal de produtos petrolíferos caminha para uma situação de descontrolo, o que agudiza a crise no sector.
“Fizemos uma ronda, fizemos um mapeamento aqui, em Nacala, em Namialo, em Angoche. Trabalhamos com o IGREME [Inspecção Geral dos Recursos Minerais e Energia] e as FDS [Forças de Defesa e Segurança]. Temos um mapa que nós produzimos e descobrimos que há uma enorme concentração de combustível fora das bombas, dos vossos estabelecimentos. Venda a retalho,” disse o governador na contextualização sobre a reunião.
Num outro desenvolvimento, Abdula garantiu que “trabalhamos durante o dia, durante as tardes e nas noites,” e que “estamos numa situação que se está a perder o controlo.”
O governo referiu ainda que a reunião não se tratava de “uma reunião de julgamento, não é uma reunião de acusações, é uma reunião de concertações e de procura de solução. Queremos saber quanta quantidade vocês receberam na semana da crise e na semana antes da crise. Estamos reunimos aqui para encontrar solução.”
“Neste momento que estamos reunidos aqui, há uma operação das FDS a recolher combustível em tambores, em grandes quantidades nas casas e na via pública,” anunciou o governante.
“Temos muito combustível fora do controlo das bombas, do Estado. Nas palhotas,” recordou o governador, lançado para pergunta de discussão: “como vocês acham que esse combustível está a chegar lá?”
Miguel Amorim, do grupo Eco, foi dos primeiros a comentar, antecedido por um dos representantes da Confederação das Associações Económicas (CTA) na reunião, que denunciou haver viaturas que abastecem, tanque cheio, mais de 4 vezes ao dia.
“Nós, também, não estamos numa boa situação. Temos ouvido que entrou navio com combustível, mas nós não somos fornecidos. Continuamos na mesma. A minha empresa ficou desde semana sem ser fornecida, mas hoje foi fornecida em quantidades muito ínfimas,” disse Amorim, que prosseguiu apontando que “em alguns postos podem estar a fazer vendas avulsas, mais a questão de abastecimento de viaturas, mas não justifica a quantidade de combustíveis que há no mercado informal.”
Gil, representante da Casa Fabião, comentou que a situação é complicada, sobretudo porque há clientes, com contratos, que levam o combustível em recipientes para os distritos.
Um entendimento ficou claro entre as partes reunidas, estando a culpa a recair sobre os frentistas, profissionais que popularmente são conhecidos por bombeiros.
Um outro entendimento dos vendedores a retalho tem a ver com a desonestidade dos fornecedores, que, por vezes, ficam mais de 10 dias para responderem a uma solicitação que se envia por e-mail, por isso pediram uma visita do governador à terminal oceânica de Nacala.
“Senhor governador estamos mal, estamos a pedir ajuda. Chegar na terminal oceânica,” pediu um dos participantes.
Até as 16h desta quarta, segundo foi anunciado na mesma reunião, pelo menos 22 pessoas foram detidas em conexão com a venda ilegal e informal de combustível na cidade de Nampula, numa operação liderada pela Polícia da República de Moçambique. (Redação)





