
Nampula (IKWELI) – O arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), dom Inácio Saure, manifestou satisfação com a intervenção do governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, no processo de regularização da invasão aos terrenos pertencentes à igreja.
A posição foi tornada pública durante um encontro realizado na manhã desta quinta-feira (16), na residência do arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, onde o prelado abordou o ponto de situação dos espaços invadidos durante as manifestações pós-eleitorais e o papel da justiça na resolução do conflito.
O governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, explicou na ocasião que “nós viemos aqui passar em revista porque sua excelência reverendíssima já vinha reclamando desde o ano passado junto ao meu Gabinete, mas também estive aqui, felizmente como dissemos o tribunal já está tomar decisão caso a caso, portanto a justiça ultrapassa às competência do governador ou de qualquer órgão da província se não o tribunal de tratar a devolução de César o que é de César, os terrenos já foram entregues, como disse o reverendíssima a justiça irá dar resposta com direito a recurso”.
Eduardo Mariamo Abdula acrescentou ainda que “em relação a esses terrenos que foram entregues a igreja, a população recebeu a visita do presidente do município que confortou, pelas imagens acredito que estão a encontrar soluções para reposição, para reassentamento dessas famílias, homens e mulheres, espero que tudo corra da melhor forma, mas também queremos tranquilidade e ordem na província, em particular na cidade”.
Por seu turno, o arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, recordou os prejuízos sofridos pela Igreja Católica durante as manifestações pós-eleitorais, destacando que “como sabeis, no âmbito das manifestações pós-eleitorais, a igreja católica em Nampula ficou muito prejudicada dos seus espaços, houve vandalização, uma farmácia que funciona aqui chamada farmácia Vicente graças a intervenção do exército essa casa não foi vandalizada também, havia intervenção do exército, evitou-se o pior, mas infelizmente o terreno de Nampaco tinha sido ocupado e nós tínhamos posto o caso em tribunal, porque nós temos todos documentos daquele terreno, o terreno não está ocioso temos lá as duas casas de formação e também por lado está um pouco para agricultura para que os nossos padres saibam sujar um pouco às mãos, inclusive foi destruir o murro de vedação”.
Dom Inácio Saure recordou que, perante a ocupação dos terrenos, a Arquidiocese decidiu denunciar publicamente a situação e recorrer aos tribunais para defender o património da Igreja.
Segundo o líder religioso, “nos preocupava o facto de depois de termos posto o caso em tribunal parecia que não tinha solução e agora finalmente o tribunal decidiu pela demolição das casas construídas ilegalmente sob nosso terreno e já tinham começado outro lado das irmãs Mater Dei. Nesse sentido, posso dizer que o tribunal fez o seu papel, então a igreja se contenta, é uma questão de justiça, porque as pessoas ocuparam deliberadamente, sabendo que era terreno da igreja.”
O arcebispo aproveitou a ocasião para agradecer a actuação da justiça e o acompanhamento do governador da província, manifestando esperança de que os restantes espaços pertencentes à Igreja Católica que ainda enfrentam problemas de ocupação possam, igualmente, ser regularizados, garantindo segurança jurídica e a continuidade das actividades religiosas, sociais e agrícolas desenvolvidas pela Arquidiocese.
O encontro entre Eduardo Mariamo Abdula e Dom Inácio Saure serviu para avaliar o estágio da resolução dos conflitos fundiários envolvendo património da Igreja Católica, num momento em que as autoridades provinciais defendem a manutenção da ordem, da tranquilidade e do respeito pelas decisões dos tribunais na província de Nampula. (Malito João)






