
Maputo (IKWELI)- Brasil e Moçambique querem reforçar a sua cooperação na formação de profissionais, produção de medicamentos e vacinas, para combater problemas de saúde pública.
A pretensão foi partilhada pelo ministro da Saúde da República Federativa do Brasil, Alexandre Padilha, esta segunda-feira (13) em Maputo, por ocasião do lançamento da Escola de Saúde Pública de Moçambique.
Segundo Alexandre Padilha, a nova instituição representa um marco histórico na cooperação entre os dois países, consolidando os compromissos assumidos pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Daniel Chapo, durante a visita oficial do chefe de Estado brasileiro a Moçambique, em novembro de 2025.
O governante brasileiro afirmou que o Ministério da Saúde do Brasil e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) continuarão a apoiar a formação de quadros moçambicanos, através do intercâmbio de professores, investigadores e profissionais de saúde. Da mesma forma, o Brasil continuará a receber especialistas moçambicanos para programas de capacitação e troca de experiências.
“Vamos continuar a receber em Brasil médicos, pesquisadores, professores de Moçambique, vamos ter programações comuns para melhorar cada vez mais o trabalho dos profissionais de saúde para cuidar melhor do povo moçambicano e também aprender com a experiência para melhor atuação no Brasil.”, afirmou
Padilha explicou que a Escola de Saúde Pública de Moçambique servirá como base para uma rede de formação entre os países falantes da língua portuguesa, reunindo instituições de referência como de Portugal e Brasil, tendo sublinhado que a cooperação poderá ainda abranger o desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial adaptadas à realidade dos países de língua portuguesa.
Aquele ministro revelou que os dois países estão a discutir uma parceria estratégica para a produção de medicamentos, vacinas e outras tecnologias em saúde em território moçambicano. “O brasil já apoiou Moçambique na construção da sua primeira planta de fabricação de antirretrovirais para enfrentar o HIV/SIDA, que actualmente produz medicamentos genéricos. Queremos ampliar ainda mais essas parcerias.”, manifestou .
Para o membro do governo brasileiro, Moçambique tem uma localização geografia estratégica, com capacidade competitiva de ser um polo de fabricação de tecnologias, de medicamentos não apenas para o mercado nacional, não apenas o mercado nacional, mas também outros países africanos e diferentes mercados internacionais.
O ministro acrescentou que a proposta será discutida com o ministro da Saúde de Moçambique, a Primeira-Ministra e o Presidente da República, Daniel Chapo, com vista à retoma e expansão dos projectos de cooperação na área farmacêutica, reforçando a capacidade do país na produção de medicamentos e vacinas.
Benvinda Levi defende partilha de conhecimento
Na sua intervenção, a Primeira-Ministra moçambicana, Maria Benvinda Levi, afirmou que os grandes desafios de saúde enfrentam-se melhor quando o conhecimento é partilhado e a cooperação se traduz em resultados concretos, destacando que o país vive uma crescente transição epidemiológica, com o aumento de doenças crônicas não transmissíveis d trauma, num contexto em que as doenças infecciosas e a transição demográfica continuam a construir um grande desafio para saúde.
“É neste contexto que o governo de Moçambique criou a escola de saúde pública, com vista a acelerar a formação especíalizada e pós-graduada de profissionais de saúde em diversas áreas, com parceiras de instituições de ensino superior nacionais e internacionais”.
Explicou que a iniciativa nasce para apoiar a construção de um sistema de saúde mais competente, inovador e mais preparado para responder às necessidades actuais e futuras do nosso país
Igualmente, referiu que a iniciativa de escola de saúde pública ministrará também cursos de curta duração em saúde pública e áreas afins, com o objetivo de responder a necessidade de formação e capacitação continua dos profissionais de saúde a nível do sistema.
“A instituição conta com um pacote ambicioso de programas de formação com ênfase para formação em clima e Saúde, Economia da Saúde, Saúde digital, mestrado e doutoramento em sistema de saúde e em ciências da saúde, bem como o mestrado em educação profissional em saúde”.
A Primeira-Ministra sublinhou que são áreas que vão formar profissionais capazes de planear, prevenir, inovar e decidir com base em evidências científicas, dispondo de laboratórios e equipamentos digitais que permitem a realização de formação na modalidade virtual.
Segundo Levi, as recentes emergências de saúde pública demonstram a importância de existirem profissionais bem preparados e sistemas de saúde fortes resilientes.
Na mesma ocasião, foram assinados dois memerandos de entendimento entre o Instituto Nacional de Saúde (INS) o Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação ( INTIC )e a Agência de Transformação Digital e Inovação ( ATDI), que demonstram o firme compromisso da Escola com a digitalização dos processos. (Antónia Mazive)





