
Nampula (IKWELI) – O docente universitário, Edson Teresa, defende a adopção de políticas para a inserção de línguas regionais de Moçambique para facilitar a comunicação das pessoas que não tem o domínio da língua portuguesa.
A fonte fez uma abordagem em torno do ensino bilingue no país, tendo referido ser uma questão desafiadora porque as condições não favorecem, uma vez que há insuficiência de material adequado, bem como de professores qualificados, assim como existe um desafio ligado as próprias línguas, entendendo que uma mesma língua tem diferentes formas de falar.
“Há divergências a cerca do processo de padronização, por exemplo, o emacua da província de Nampula tem as suas variantes, onde os falantes da mesma língua não se entendem, o que complica saber se o material introduzido está em que variante. Se calhar nós identificamos um problema que é a inserção dos alunos e não nos preparamos para tal,” disse Teresa.
“O outro problema é que essas línguas que também são ensinadas apenas nos distritos englobam algumas classes e quando chega uma certa classe devem abandonar e isso cria mais problemas e confusão nessas crianças submetidas,” sublinhou.
De acordo com o nosso entrevistado, a filosofia usada para não existir uma única língua fora do Português, era para evitar questões tribalista onde, por exemplo, “colocamos o emacua como uma língua mais falada, e colocar-se em Sofala eles vão olhar a sua língua como nada.”
Para Teresa, “uma das saídas, menos desafiadora, era de termos uma língua que cobre em cada região. Temos o emacua que cobre a região Norte e uma parte da Província da Zambézia, temos o zena que é falado uma parte da Província da Zambézia, Sofala, Manica e Tete. Também temos na região sul o xichangana, então, podia ser uma outra saída,” propôs a fonte.
O nosso entrevistado entende que o melhor seria procurar uma língua fora do português.
“Devemos ter uma língua que pode desempenhar uma função paralela do Português, nas nossas instituições, nós falamos as nossas línguas e isso não é segredo, alguns funcionários entre eles falam à vontade as suas línguas nativas nos seus postos de trabalho. Então, porque é que as nossas línguas locais não podem desempenhar uma função?”
“Temos a sorte de Moçambique estar no meio de países que já trabalham com as línguas bantus, nós na região Norte estamos com Tanzânia onde patronizaram o swahili, o Malawi faz muitos trabalhos em xicheua, a África de Sul tem muitas línguas, entre outros. (Francisco Mário)





