
Nampula (IKWELI) – Fiéis da Arquidiocese de Nampula, na região pastoral da cidade, manifestam crescente preocupação com a ocupação e alegada venda ilegal de terrenos pertencentes à Igreja Católica, uma situação que consideram estar a ameaçar o presente e o futuro da missão evangelizadora em várias comunidades da província.
Segundo relatos apresentados durante um encontro com o Arcebispo de Nampula, vários espaços da Igreja encontram-se actualmente nas mãos de terceiros, sem a devida autorização das autoridades eclesiásticas, num problema que se arrasta há anos e que continua a preocupar os cristãos.
Os fiéis afirmam que a perda destes terrenos compromete, não apenas as actividades pastorais, mas também projectos sociais, educativos e comunitários que a Igreja pretende desenvolver em benefício das populações.
Entre os casos apontados está a ocupação de áreas pertencentes ao Seminário Filosófico de Marrere e à Missão de Marrere e outros terrenos e casas da igreja, onde particulares terão tomado posse de parcelas de terra consideradas património eclesial.
A situação tem gerado inquietação em diversas comunidades católicas, cujos membros receiam que o património eclesiástico continue a diminuir, reduzindo as possibilidades de expansão das actividades religiosas e sociais.
O fiel Lazo lamentou o agravamento do problema e atribuiu parte da responsabilidade a algumas lideranças comunitárias e anciãos que, alegadamente, têm facilitado a venda de terrenos pertencentes à Igreja.
“Estou a chorar por causa dos terrenos da Igreja. A situação está pior nos últimos tempos e precisamos de fazer um trabalho forte, porque se continuarmos assim, vamos perder todo o terreno da Igreja”, afirmou.
Por sua vez, Victorina Diamantino, vice-anciã da Comunidade Sede de Napipine, apelou à intervenção urgente das autoridades competentes para travar a ocupação dos espaços e recuperar as áreas já perdidas.
“Existem muitos terrenos aqui na paróquia que estamos a perder”, lamentou, defendendo uma resposta firme para proteger o património da Igreja.
Respondendo às preocupações dos fiéis, o Arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), Dom Inácio Saure, reconheceu a gravidade da situação e apelou à reposição da legalidade.
“Aqueles que venderam devem devolver o terreno da Igreja. Estamos a pedir aos anciãos para devolverem o dinheiro aos compradores e recuperarmos os terrenos da Igreja”, afirmou o prelado, garantindo que a Igreja não permanecerá indiferente perante um problema que considera preocupante e prejudicial para a sua missão evangelizadora. (Malito João)





