
Nampula (IKWELI) – Professores na cidade de Nampula dizem-se preocupados com os frequentes casos de gravidezes precoces e uniões prematuras, o que resulta em desistências escolares, minando deste modo o futuro de milhares de raparigas.
O director adjunto da Escola Primária de Ucula, Januário Mateus, disse ao Ikweli que é difícil para as raparigas em idade escolar conciliar os cuidados com a maternidade e a vida escolar. “Nós professores estamos preocupados, porque conciliar os estudos com a maternidade não é uma tarefa fácil, principalmente para uma rapariga de apenas 13 anos. No entanto, este é um factor que também leva muitas alunas a desistirem da escola por causa do impacto emocional, porque as adolescentes grávidas frequentemente enfrentam estigma, isolamento e baixa autoestima.”
Rosalina Carlos, professora que lecciona na Zip da escola básica da Serra da Mesa, aponta a falta de uma educação sexual adequada nas famílias e nas escolas, como o factor que tem empurrado as raparigas para as gravidezes precoces. “Sou professora e mãe, as crianças em idade aceitável entre 12 e 18 anos precisam saber sobre a saúde sexual e reprodutiva, os pais precisam ensinar e alertar sobre os impactos negativos da gravidez precoce e saibam como acontecem as uniões prematuras, além disso, os praticantes desses actos devem ser responsabilizados exemplarmente e garantir que as crianças voltem a estudar em busca de um futuro digno.”
Por fim, Eugênia dos Santos, professora da EPC de Maratane, reafirmou que apesar dos desafios, há iniciativas e políticas públicas que permitem o retorno aos estudos e a conscientização sobre o planejamento familiar, provando que a gravidez não precisa ser o fim da jornada educacional.
” nas escolas decorrem palestras através de organizações não governamentais, mas acreditamos que é preciso o envolvimento de todos no combate as uniões prematuras e gravidezes precoces,também é importante que os casos sejamreportados as autoridades, sejam transparentes e haja justiça.” (Nelsa Momade)
