
Nampula (IKWELI) – Alguns cidadãos de Nampula, sobretudo dadores de sangue, andam desencorajados em continuarem com a prática voluntário devido a crescente venda ilícita do líquido vital nas unidades sanitárias.
Os pronunciamentos surgem no âmbito do dia 14 de Junho, data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cujo objectivo é enaltecer e sensibilizar o voluntarismo na doação de sangue.
Em entrevista ao Ikweli, estes afirmaram que os boatos que circulam dando contam que o sangue é vendido nos centros de saúde fazem com que as pessoas não adiram as campanhas de sensibilização.
“Nunca doei e não quero doar, porque o sangue é negócio, sem mencionar que a alimentação após doar não é compatível, o sangue produz-se e depois de doar você deve alimentar-se adequadamente e se não tiver boa alimentação como é que vai recuperar a energia? Em termos da finalidade do sangue, existe desvio de aplicabilidade, é muito comercializado, por isso que a prática de doar sangue de forma voluntária perdeu muita credibilidade, não é como antes onde tinha muito impacto,” disse Nelson Comiçal, residente na cidade de Nampula.
O nosso entrevistado afirmou ainda que se alguém está doente e precisa de sangue, é solicitado um familiar para fazer a doação e isso mostra a falta de confiança por parte dos voluntários. “Há muita desumanidade, praticamente é como se todas medicações existissem nos hospitais, mas há um determinado grupo que se beneficia, por isso as pessoas não doam sangue. Por outra, um dador tem um cartão que lhe identifica, mas quando precisa de um tratamento não tem um bom atendimento, e isso desmotiva,” frisou a fonte.
No mesmo diapasão, Luís Pedro, dador de sangue, afirmou que as pessoas já perceberam que existe uma rede, porque aquilo que seria o objectivo final está sendo extrapolado, uma vez que era para doar, e os utentes beneficiarem de forma gratuita.
“Mas agora, o que está a acontecer, você vai com um familiar deve comprar sangue, mas o sangue que eles encontraram mahala, por isso as pessoas agora preferem não aderir, porque sabem que vou doar por livre vontade e ser vendido sabendo que conseguiram de forma gratuita. Actualmente, a política adoptada é dizer que este familiar não é compatível para comprar sangue deles, o sangue é usado para o benefício de um grupinho,” sublinhou Pedro.
De acordo com o nosso entrevistado, é preciso que exista mudanças, incentivando os dadores, e que tenham benefícios, porque o sangue é precioso. Por outra, deve acabar com a venda de sangue como se fosse fabricado.
Para Juvenal Nkugavila, as pessoas pensam que o sangue se vende nos hospitais e o dador perde a vontade de ir praticar, no entanto, devem ser sensibilizadas as pessoas e investigar se o fenómeno de venda de sangue acontece ou não.
Enquanto isso, há quem não vai doar por preguiça. “Nunca doei sangue, mas já pensei muitas vezes, mas por causa do tempo e não ter hábito de fazer este gesto, o que me falta é decidir e dizer que vou doar,” assegurou Fátima Cabral. Já o técnico de Saúde, João Anastácio, explica que a doação de sangue compõe vários objetivos para a saúde, “A doação de sangue evita que as pessoas possam contrair algumas doenças como por exemplo, alergia constante, porque quando alguém tem alergia constante, significa que tem muito sangue e não está circular de forma melhor e a solução é doar sangue. Depois de doar a pessoa deve se alimentar bem para repor as energias. No entanto, existe perigo em doar sangue, daí que existem condições para fazer esta prática e não porque a pessoa entendeu ir doar, você pode doar sangue, chegar em casa adoecer e até morrer,” sublinhou o técnico de saúde. (Francisco Mário)